Em um ato que beira o desprezo pela população mais vulnerável, o vereador Joselyo (PP) conseguiu aprovar na Câmara Municipal de Macapá um projeto de lei que proíbe a construção de pontes e passarelas mistas – estrutura essencial para milhares de famílias que vivem em áreas de ressaca da capital. A lei, aprovada por 10 votos a 8 em 9 de setembro, surge no exato momento em que o Ministério Público do Estado revela que aproximadamente 160 mil pessoas (20% da população) vivem em locais insalubres, muitas delas dependendo dessas estruturas para acesso à cidade.
O Projeto que Isola os Pobres
Sob a justificativa de “garantir durabilidade e qualidade”, Joselyo apresentou um projeto que na prática inviabiliza a construção de passarelas que utilizem alicerce de madeira com superfície de concreto – modelo mais acessível e amplamente utilizado em comunidades carentes. O vereador defende que a prefeitura construa estruturas “100% em madeira ou 100% em concreto”, ignorando completamente a realidade orçamentária do município e a urgência das demandas populares.
A Hipocrisia do “Padrão de Qualidade”
Enquanto justifica sua proposta com discurso de “transparência e qualidade”, Joselyo parece ignorar que para populações que sequer têm acesso a infraestrutura básica, uma ponte mista representa melhoria imediata na qualidade de vida. A proibição pura e simples do modelo misto – sem apresentar alternativa viável financeiramente – condena milhares de famílias ao isolamento permanente.
Vereadores da oposição alertaram durante acalorado debate que a medida é na realidade um retrocesso social. “Enquanto o vereador fala em ‘não maquiar a situação’, a população real precisa de soluções reais agora, não de padrões ideais que nunca chegarão”, disse um dos oito parlamentares que votaram contra o projeto.
Quem é Joselyo?
Eleito com votos majoritariamente das periferias – justamente as áreas mais afetadas por sua nova lei – o vereador agora mostra seu verdadeiro compromisso: com um tecnicismo elitista que ignora a realidade social do município que ele jurou representar.
A aprovação desta lei representa não apenas um retrocesso na política urbana de Macapá, mas um símbolo da desconexão entre representantes e representados. Enquanto 20% da população luta por infraestrutura básica, Joselyo prefere proibir soluções viáveis do que garantir que o poder público cumpra seu papel de servir aos mais necessitados.
