O que era para ser uma análise técnica virou munição política.
O parecer do Ministério Público Eleitoral no processo que investiga suposto uso indevido da comunicação institucional pela gestão do ex-prefeito Antônio Furlan está sendo vendido como “prova de irregularidade”. Mas basta ler o documento para perceber: a narrativa não se sustenta como querem fazer parecer.
O próprio Ministério Público admite, de forma clara, que não há provas de que os recursos públicos tenham sido usados para autopromoção eleitoral. Também reconhece que não foi possível comprovar ligação direta entre contratos de publicidade e conteúdos jornalísticos.
Ou seja, o coração da acusação simplesmente não foi comprovado.
E não para por aí.
O processo seguiu sem a apresentação completa dos documentos exigidos pela Justiça. O próprio MP pediu mais provas — relatórios, ordens de serviço e comprovação de execução dos contratos — mas o pedido foi negado, e a instrução foi encerrada mesmo assim.
Na prática, é um julgamento com lacunas.
Como se não bastasse, a própria parte autora desistiu de ouvir testemunhas, abrindo mão de produzir prova oral no processo. Um detalhe que desmonta qualquer tentativa de transformar o caso em algo robusto.
O que sobra, então?
Interpretação.
O parecer passa a se apoiar em avaliações subjetivas, como o “tom” de matérias jornalísticas e o “alinhamento editorial” de veículos de comunicação — elementos que, por si só, não configuram ilegalidade.
Mesmo assim, o documento conclui pela existência de abuso e pede condenação.
A pergunta que fica é simples:
como se chega a uma conclusão tão grave sem prova direta, sem documentação completa e sem testemunhas?
Nos bastidores, a resposta parece menos jurídica e mais política.
Transformar um parecer — que não condena ninguém — em discurso pronto para atacar adversários virou estratégia. É o velho roteiro da turma do atraso: quando falta prova, sobra narrativa.
