Coletivos digitais atuantes no Amapá, com forte presença em municípios como Santana, têm sido alvo de denúncias por parte de jornalistas, opositores políticos e estudiosos da comunicação. Esses grupos, identificados por apoiadores de figuras como o governador Clécio Luís e os senadores Davi Alcolumbre, Randolfe Rodrigues e o ex-governador Waldez Góes, são acusados de disseminar conteúdo com o objetivo de desacreditar reportagens críticas e atacar adversários políticos.
A estratégia desses coletivos, conforme relatado por profissionais da imprensa local, baseia-se em campanhas coordenadas nas redes sociais para minimizar o impacto de reportagens que abordam supostas irregularidades na administração estadual, especialmente nas áreas de saúde, educação e segurança pública. Além disso, as ações teriam como alvo personalidades como o prefeito de Macapá, Antônio Furlan, o senador Lucas Barreto, a primeira-dama e secretária municipal Rayssa Furlan, e veículos de comunicação que publicam matérias investigativas.
Especialistas em direito digital e comunicação política ouvidos pela reportagem destacam que a utilização de perfis falsos ou coordenados para atacar jornalistas e opositores configura uma prática de risco para o debate democrático. “A desinformação organizada visa não apenas defender gestores, mas também silenciar vozes críticas e confundir a população sobre fatos de interesse público”, explica uma pesquisadora de mídia digital, que preferiu não se identificar.
O fenheiro das chamadas “tropas digitais” não é exclusivo do cenário amapaense e tem sido objeto de investigação por parte do Ministério Público Eleitoral em vários estados. A legislação brasileira, inclusive, prevê penas para quem comete crimes contra a honra ou dissemina notícias falsas com potencial de causar dano coletivo.
Jornalistas locais relatam pressão e intimidação virtual, mas afirmam que a resistência é fundamental. “Nosso compromisso é com a apuração dos fatos. Ataques coordenados não vão nos calar”, declarou um editor de um veículo crítico ao governo estadual, que também optou pelo anonimato devido a ameaças recebidas.
Enquanto isso, a sociedade civil organizada do Amapá começa a se mobilizar. Projetos de educação midiática e observatórios de fake news estão sendo desenvolvidos por universidades e ONGs para capacitar a população a identificar campanhas de desinformação e valorizar o jornalismo profissional.
A reportagem seguiu os princípios jornalísticos basear-se em fatos e declarações públicas, abstendo-se de reproduzir acusações sem provas ou atribuir condutas ilegais a indivíduos sem determinação judicial.
