Uma apoiadora do governador Clécio Luís utilizou as redes sociais para tentar desqualificar o relato de uma mulher que afirmou ter sido vítima de agressão. Em vez de defender apuração dos fatos e respeito à denunciante, a comentarista Daiane Ferreira optou pelo deboche, ironizando a condição de vítima e tratando um episódio grave como “mimimi”.
O alvo foi Márcia Santos, que relatou ter sofrido agressão juntamente com o filho e afirmou que um deputado precisou intervir para conter a situação. O caso ganhou repercussão após a postura da comentarista, que transformou um relato de violência em motivo de escárnio público.
O episódio escancara um problema recorrente no debate político: quando a política vira torcida, a vítima passa a ser tratada como inimiga. A violência é relativizada, e a denúncia, ridicularizada. Não se trata de opinião nem de “brincadeira”, mas de uma prática antiga e nociva a humilhação pública de quem denuncia, com o objetivo de desencorajar outras mulheres a falarem.
Em um estado que enfrenta índices preocupantes de violência e que exige respostas firmes do poder público, o mínimo esperado é responsabilização, investigação e proteção às vítimas. Ironia e linchamento moral não são posições políticas; são sinais de atraso.
Mulher vítima não se ridiculariza. Agressão se apura.
