Petrobras avança em licenciamento para explorar petróleo na Foz do Amazonas, mas enfrenta críticas ambientais
A Petrobras está mais próxima de obter as licenças ambientais necessárias para iniciar a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, região da Margem Equatorial que se estende pelo litoral do Amapá. O plano da estatal é perfurar até oito poços em águas profundas, com investimentos estimados em US$ 3 bilhões nos próximos cinco anos.
Segundo reportagem da Exame, a empresa já conseguiu aprovação em simulações exigidas pelo Ibama para concessão do licenciamento, embora não tenha passado em todos os testes. A Avaliação Pré-Operacional (APO), que simula emergências ambientais, foi aprovada, mas ajustes ainda são cobrados pelo órgão ambiental. Um novo teste prático deverá ser feito para confirmar as mudanças apresentadas no papel.
Entre as falhas registradas durante as simulações estão problemas em resgates de animais — quando embarcações ficaram presas em redes de pesca e quase colidiram — e deficiências em segurança de pilotos durante exercícios aéreos. Técnicos do Ibama apontaram que a companhia não conseguiu garantir ações adequadas para evitar riscos de contaminação e perda de biodiversidade em caso de acidente.
Apesar dos contratempos, a expectativa de fontes ouvidas pelo Estadão é de que a licença seja concedida nos próximos dez dias, já que, politicamente, o governo federal tem sinalizado apoio à exploração. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a realização da COP30 no Brasil não deve ser um empecilho para o avanço do licenciamento.
A Margem Equatorial é considerada a nova fronteira de exploração de petróleo e gás no Brasil e tem sido chamada de “novo pré-sal” pelo potencial de reservas. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) estima que a região possa produzir até 30 bilhões de barris de óleo equivalente.
No entanto, ambientalistas, comunidades e povos originários alertam para os riscos da exploração em uma das áreas mais sensíveis do ecossistema marinho brasileiro, reforçando que um eventual acidente poderia ter impactos irreversíveis na biodiversidade da Amazônia Azul.
👉 A polêmica segue: de um lado, a promessa de novos recursos e desenvolvimento econômico; do outro, o temor de que a exploração traga consequências ambientais graves para a região.
