Lar Amapá R$ 700 mil em câmeras, mas sem agentes: sete adolescentes fogem de unidade socioeducativa no Amapá

R$ 700 mil em câmeras, mas sem agentes: sete adolescentes fogem de unidade socioeducativa no Amapá

"Serviço porco", define servidor sobre reforma no local da fuga. Estrutura física deficiente se soma à falta de profissionais, em cenário de total vulnerabilidade.

por admin
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 Fuga em massa do CESEIN expõe crise na Fundação Socioeducativa; servidores denunciam falta de efetivo, equipamentos e desvio de recursos, enquanto gestão investiu em monitoramento eletrônico e contrato milionário de vigilância.


Num cenário de alertas ignorados e investimentos questionáveis, sete adolescentes internados no Centro Socioeducativo de Internação (CESEIN), um dos núcleos da Fundação Socioeducativa do Amapá (FSA), aproveitaram brechas de segurança e fugiram na manhã desta sexta-feira (12/12). Os nomes dos fugitivos são: Salatiel, Thiago , Deivid , Paulo , João Vitor, Otávio . Até o fechamento desta reportagem, três deles já haviam sido recapturados.

O episódio, no entanto, é apenas a ponta de um iceberg de problemas crônicos denunciados há meses pelos servidores que atuam na linha de frente. Enquanto a gestão da FSA anunciou um investimento de aproximadamente R$ 700 mil em um novo sistema de câmeras de monitoramento para o complexo, a realidade dentro das unidades é de desamparo operacional.

“Uma empresa passou meses fazendo uma adaptação no refeitório do CESEIN, por horrores de dinheiro, e deu nisso! Serviço porco!”, desabafa um agente, que preferiu não se identificar por temor de retaliações. A reclamação principal, porém, vai além das obras. É a falta crônica de condições mínimas para o trabalho.

Estrutura precária e desvio de função

Segundo relatos de vários servidores, a fuga ocorreu em um contexto de baixíssimo efetivo de plantonistas na unidade. A razão? “A maioria encontra-se na sede da Fundação, com desvio de função”, afirma um deles. Além da escassez de pessoal nas alas, os agentes carecem de instrumentos básicos: não há rádios transmissores para comunicação entre a equipe durante as rotinas e emergências.

“Enquanto isso, gasta-se milhões em aluguéis de veículos para os ‘gerentes’ das unidades e diretores ficarem passeando com suas famílias nos finais de semana. SOCORRO!”, escreveu outro servidor , ecoando denúncias anteriores de suposto desvio de finalidade em contratos de locação de frota.

Contrato milionário de vigilância e falhas recorrentes

A fragilidade contrasta com outro vultoso gasto público: a FSA mantém um contrato de vigilância armada no valor de mais de R$ 6 milhões. Apesar do dispêndio, as falhas de segurança persistem, indicando que o problema não é apenas orçamentário, mas de gestão e priorização.

“O episódio evidencia que a tecnologia, isoladamente, não é capaz de impedir evasões”, analisa um especialista em segurança pública consultado pela reportagem. “Sem um efetivo adequado, treinado e equipado no chão da unidade, qualquer sistema é inútil. A segurança socioeducativa se faz com pessoas.”

Gestão sob pressão

A fuga em massa coloca a gestão da Fundação Socioeducativa do Amapá sob pressão. Os servidores exigem uma revisão urgente das prioridades, com a realocação de pessoal para as unidades, a aquisição de equipamentos de comunicação e o fim dos supostos desvios de função e de recursos.

A reportagem tentou contato com a direção da FSA e com a Secretaria de Estado responsável para comentar as denúncias dos servidores e os detalhes operacionais que permitiram a fuga, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestação.

A situação no CESEIN deixa claro: não adianta cercar a unidade de câmeras se não houver agentes suficientes para, ao verem as imagens, poderem agir. A segurança dos adolescentes e da sociedade começa com a valorização de quem está dentro do muro.

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