Documentos oficiais do Diário Oficial do Estado e dados do Portal da Transparência revelam que a Fundação da Criança e do Adolescente (FCRIA) firmou contrato para locação de veículos automotores, com pagamentos que se aproximam de R$ 1 milhão, supostamente destinados ao atendimento da logística e das atividades institucionais da Fundação. No entanto, a realidade relatada por servidores é completamente diferente do que está no papel.
Segundo denúncias feitas por funcionários da própria FCRIA, nunca houve uso desses veículos nas atividades-fim da Fundação, muito menos para atender as demandas das unidades de internação onde adolescentes e jovens cumprem medidas socioeducativas, como CESEIN, CIP, CIFEM e o sistema de Semiliberdade. Os relatos são unânimes: os servidores afirmam que jamais viram ou utilizaram veículos da empresa contratada para qualquer serviço relacionado ao atendimento dos internos.
Apesar disso, os registros oficiais apontam empenhos, liquidações e pagamentos elevados pelos serviços de locação. A discrepância entre o que foi pago e o que efetivamente teria sido entregue levanta graves questionamentos sobre a execução do contrato e o destino real desses veículos.
Ainda conforme os relatos internos, há suspeitas de que os automóveis possam ter sido utilizados para fins alheios ao interesse público, possivelmente em atividades de igrejas das quais fariam parte pastores que ocupam cargos comissionados na fundação, participando de encontros e missões religiosas o que, se confirmado, configuraria desvio de finalidade e uso indevido de recursos públicos.
O caso reforça a necessidade de apuração rigorosa por parte dos órgãos de controle, como Ministério Público e Tribunal de Contas, para esclarecer se houve irregularidades, pagamentos indevidos ou favorecimento. Enquanto isso, adolescentes privados de liberdade continuam enfrentando a precariedade no sistema socioeducativo, em contraste com contratos milionários que, segundo os servidores, nunca chegaram a cumprir sua função social.
