O que era para ser um polo de inovação e desenvolvimento para o Amapá hoje é um símbolo de abandono e de uma promessa não cumprida. O Campus Tecnológico da Universidade do Estado do Amapá (UEAP), que seria erguido com um empréstimo de R$ 980 milhões do BNDES, está abandonado há mais de dez anos. A única marca concreta do projeto é a placa de inauguração, enquanto o destino do vultoso recurso público permanece um mistério. O caso foi alvo de uma denúncia do deputado estadual R. Nelson (PL), que anunciou a apresentação de um Requerimento para uma Audiência Pública para esclarecer os fatos.
A origem da história remonta a 5 de abril de 2013, quando o Governo do Estado contraiu o empréstimo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para viabilizar o Programa de Desenvolvimento Humano Regional Integrado (PDRI). Dentro desse programa, estava prevista a construção do Campus Tecnológico em uma área de 3,5 hectares na Rodovia Josmar Pinto.
O projeto era ambicioso: quatro blocos de dois pavimentos, sete galpões e laboratórios de ponta para os cursos de Engenharia Florestal, Engenharia de Pesca, Engenharia Química e Engenharia Ambiental, além do prédio da Prefeitura do Campus, guarita e estacionamento. A obra foi licitada e iniciada em 2014, gerando expectativa na comunidade acadêmica.
Paralisação e Justificativa Questionável
Pouco tempo após o início dos trabalhos, a obra foi paralisada. A justificativa oficial foi um “achado arqueológico” no local. No entanto, de acordo com a denúncia do deputado R. Nelson, esse achado “nunca teve solução” e o contrato com a construtora foi, posteriormente, rescindido. Desde então, o local foi simplesmente abandonado.
“Hoje, mais de 10 anos depois, só resta a placa da obra — e ninguém sabe onde foi parar o dinheiro”, afirmou o parlamentar, em tom de indignação. “Enquanto isso, testemunhamos empreendimentos imobiliários surgindo no entorno da área, mas o nosso Centro Tecnológico, essencial para a educação e o futuro do nosso estado, continua sem autorização e abandonado à própria sorte.”
Cobrança e Transparência
Para jogar luz sobre este caso e cobrar ações concretas, o deputado vai apresentar na Assembleia Legislativa um Requerimento de Audiência Pública. Os objetivos são claros:
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Cobrar do Governo do Estado a retomada imediata das obras;
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Exigir transparência total sobre a aplicação dos recursos do contrato de financiamento nº 12.2.1443.1, do PDRI/BNDES;
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Ouvir representantes dos centros acadêmicos, estudantes, professores e a sociedade civil sobre os prejuízos causados pela paralisação;
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Discutir a reformulação e o fortalecimento dos cursos de engenharia e áreas tecnológicas no estado.
“Educação, inovação e desenvolvimento não podem continuar esquecidos no Amapá”, enfatizou R. Nelson. “Vamos juntos dar voz à comunidade acadêmica e exigir, com veemência, que este projeto crucial finalmente saia do papel. O povo amapaense e, especialmente, nossos jovens, merecem respostas.”
A expectativa é que a Audiência Pública seja marcada para as próximas semanas, pressionando o Executivo Estadual a prestar contas sobre um dos mais caros e paralisados projetos da recente história do Amapá.
