Profissionais responsáveis pela segurança de maternidade e hospitais de emergência denunciam empresa terceirizada e governo por atrasos crônicos que mergulham famílias em desespero. Empresa “Patente” paga um salário a cada três meses em atraso, segundo trabalhadores.
MACAPÁ – Em um escândalo que expõe a carne viva da saúde pública no Amapá, vigilantes responsáveis pela segurança dos principais hospitais do estado – incluindo a Maternidade e o Hospital de Emergências – estão há dois meses sem receber seus salários. A denúncia é dos próprios profissionais, que desempenham função vital e arriscada, mas são tratados com descaso absoluto pela empresa terceirizada Patente e, segundo eles, pela Secretaria de Estado da Saúde (SESA).
A situação não é um fato isolado, mas uma prática cruel e recorrente, conforme relatos angustiados dos trabalhadores. Eles descrevem um ciclo de desespero: a empresa só efetua um pagamento quando já acumula três meses em atraso, mantendo a categoria em um estado permanente de asfixia financeira e estresse. No momento, os vigias estão sem os vencimentos de JULHO e AGOSTO.
“Estamos aqui, dia e noite, garantindo a segurança de quem salva vidas, mas não temos dinheiro para colocar comida na mesa das nossas próprias famílias. É um desrespeito total”, desabafa um vigilante, que preferiu não se identificar com medo de represálias. O clima entre a categoria é de indignação explosiva e medo do amanhã.
Os profissionais afetados estão lotados em unidades de saúde críticas:
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Hospital de Emergências (HE)
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Maternidade
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Hospital da Criança
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Hospital de Doenças Tropicais
A segurança precária desses locais, causada por profissionais desmotivados e em situação de extrema vulnerabilidade, representa um risco iminente para pacientes, médicos e enfermeiros.
A cobrança por providências urgentes é direta: os vigilantes exigem que a empresa Patente cumpra imediatamente com suas obrigações trabalhistas e que o Governo do Estado do Amapá e a SESA, como contratantes do serviço, intervejam de forma emergencial. Afinal, quem é pago para garantir a segurança dos hospitais não pode ser deixado à própria sorte, inseguro e sem seu direito mais básico: o salário.
A reportagem tentou contato com a empresa Patente e com a Secretaria de Estado da Saúde (SESA), mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. A omissão das autoridades aprofunda a crise e o sentimento de abandono entre aqueles que deveriam ser valorizados.
