Macapá, 21 de novembro de 2025 – Uma onda de demissões em massa no Anexo do Hospital de Emergência (HE) do Amapá, supostamente acompanhada de contratações por indicação política, levou o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado (SindeSaúde-AP) a publicar uma nota de repúdio contra a gestão da unidade. Segundo denúncias recebidas pelo sindicato, a experiência de servidores antigos está sendo ignorada em favor de um esquema de favorecimento, colocando em risco a segurança dos pacientes e a saúde dos próprios trabalhadores.
De acordo com relatos colhidos pelo SindeSaúde, profissionais concursados e com anos de dedicação ao serviço público estão sendo substituídos por novos funcionários indicados politicamente. A prática, se confirmada, caracteriza um “cabide de empregos” dentro de uma unidade de saúde crítica para o estado, subvertendo os princípios do mérito e da impessoalidade no serviço público.
Colapso na Plantão e Riscos Imediatos
A crise administrativa teria refletido diretamente na assistência à população já na noite de quinta-feira (20/11). Denúncias dos profissionais apontam para um cenário de desassistência, com falta generalizada de funcionários. Testemunhos relatam que, em determinado momento, havia apenas duas enfermeiras por andar para suprir a demanda do hospital.
“Esta condição é absolutamente insustentável e criminosa. Ela coloca em risco a vida dos pacientes, que não recebem o cuidado devido, e impõe uma sobrecarga desumana e insalubre aos trabalhadores que, heroicamente, permanecem em seus postos”, afirma a nota do SindeSaúde-AP. A situação configura uma violação frontal aos protocolos de segurança do paciente e às normas trabalhistas.
Mudança de Gestão e Quebra de Compromisso
Outro ponto levantado pelo sindicato é a aparente quebra de compromisso com os trabalhadores após a transição na gestão do Anexo. Sob a administração anterior da empresa GEPES, foi garantido aos profissionais que não haveria demissões. No entanto, com a entrada da nova gestora, a empresa MEDIALL, as demissões em massa teriam começado, gerando instabilidade e revolta entre a categoria.
A troca de uma equipe experiente por novatos indicados politicamente levanta sérias questões sobre a eficiência e a continuidade dos serviços de saúde prestados à população, que pode ser a maior prejudicada com a perda de profissionais qualificados.
Posicionamento do Sindicato e Cobranças
O SindeSaúde-AP declarou repúdio veemente a quaisquer práticas de favorecimento político dentro das unidades de saúde. “Todas as medidas cabíveis serão adotadas em defesa dos trabalhadores”, assegurou a entidade em comunicado.
O sindicato informou que tomou conhecimento formal da situação nesta sexta-feira (21/11) e que solicitará esclarecimentos imediatos à Secretaria de Estado da Saúde do Amapá (SESA), cobrando uma posição oficial sobre as demissões, as supostas indicações e as medidas que serão tomadas para normalizar o atendimento e garantir a segurança de pacientes e profissionais.
A reportagem tentou contato com a SESA e com a empresa MEDIALL para se manifestar sobre as acusações, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para os devidos esclarecimentos.
