Lar Amapá Obra da família Di Miceli, Problema de População: O Legado Estrutural da Gestão Clécio em Macapá

Obra da família Di Miceli, Problema de População: O Legado Estrutural da Gestão Clécio em Macapá

Contrato milionário com suposto parente do prefeito à época resulta em prédio do Shopping Popular interditado por rachaduras em menos de três anos, levantando questões sobre fiscalização e o uso do erário público.

por admin
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A fachada de modernidade e progresso do Shopping Popular de Macapá, inaugurado com pompa em 2021, rachou. Literalmente. O que era para ser um símbolo de apoio aos pequenos empreendedores tornou-se, em pouco mais de dois anos, mais um capítulo da crônica de obras públicas amapaenses marcadas pelo desperdício e pela sombra do favorecimento. A estrutura do prédio, erguida com recursos públicos pela empresa de um familiar do então prefeito, apresenta rachaduras graves, forçando a retirada de todos os lojistas e a interdição parcial do local.

A semente do problema atual foi plantada em 2020, no então mandato do prefeito Clécio Luís Vilhena Vieira. Foi sob seu decreto que a Prefeitura de Macapá firmou um contrato no valor de R$ 3.720.156,49 com a empresa Arte Construções Engenharia Ltda EPP. O detalhe, que salta aos olhos na documentação, está na representação legal da construtora: Gabriel Figueiredo Di Miceli, que é o mesmo sobre nome da irmã do prefeito Clécio (  Di Miceli)

A obra foi executada, o shopping foi entregue e amplamente divulgado como uma grande conquista da gestão. No entanto, o glamour da inauguração não resistiu ao teste do tempo. Recentemente, rachaduras estruturais foram identificadas, comprometendo a segurança do imóvel e forçando a administração municipal atual a tomar a única medida responsável: esvaziar o local.

A interdição, embora necessária, acende um alerta vermelho sobre os processos que regem o uso do dinheiro público. A pergunta que ecoa é inevitável: por que um prédio novo, que consumiu quase quatro milhões de reais dos cofres municipais, não durou sequer 36 meses?

O caso vai além de uma simples falha de execução. A proximidade familiar entre o contratante (a Prefeitura, então chefiada por Clécio Luís) e o contratado (a empresa de seu cunhado) cria um cenário que exige transparência máxima e fiscalização rigorosa – algo que, pelo resultado observado, parece não ter ocorrido de forma eficaz.

A sociedade amapaense, mais uma vez, se vê diante de um rombo financeiro e social. Enquanto os empreendedores têm seus sustentos interrompidos e técnicos avaliam “o tamanho do estrago”, as mesmas questões permanecem sem resposta:

  • A fiscalização da obra, durante a execução, foi conduzida com o devido rigor técnico e isenção?

  • As garantias contratuais serão acionadas para que a construtora arcasse integralmente com os reparos, ou o custo recairá novamente sobre os contribuintes?

  • Haverá responsabilização pelos prejuízos causados aos lojistas e ao poder público?

Enquanto aguardamos as respostas, o prédio rachado do Shopping Popular serve como um monumento à impunidade e à má gestão. A conta, como de costume, está sendo passada para a população, que paga para construir e, agora, pode ter que pagar novamente para consertar uma obra que mal começou a ser usada.

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