Juventude amapaense e o crime organizado: um alerta ao próximo governador
Por Bambam News
No Amapá, a juventude está no centro de uma disputa silenciosa: de um lado, o abandono do Estado; do outro, o avanço estratégico do crime organizado. Sem acesso a educação de qualidade, oportunidades de trabalho ou espaços na politica , milhares de jovens se tornam presas fáceis para o aliciamento por facções criminosas.
Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Amapá (Sejusp) revelam que, só em 2024, 42% dos adolescentes apreendidos em ações policiais tinham entre 14 e 18 anos e já possuíam algum tipo de vínculo com organizações criminosas. Em bairros periféricos de Macapá, como Congós, Novo Horizonte e Zerão, lideranças comunitárias alertam para o aumento de casos de jovens usados como “soldados do tráfico”, sendo cooptados cada vez mais cedo.

“O Estado não chegou. Mas o crime chegou”, lamenta o professor de escolinha de futebol, coordenadora de um projeto social na zona sul da capital. “Enquanto o jovem não tem uma quadra para jogar bola ou uma escola em tempo integral, o traficante aparece oferecendo dinheiro, respeito e um caminho rápido — mesmo que mortal.”
A ausência de políticas públicas estruturantes coloca o Amapá em um estado de emergência social. Especialistas apontam que programas como escolas técnicas estaduais, bolsas de iniciação científica, incentivo ao empreendedorismo juvenil e investimentos reais em cultura e esporte são medidas essenciais para mudar essa realidade.
Para o futuro governador, fica a responsabilidade histórica de enfrentar essa realidade com coragem e ação. Não basta discurso: é preciso orçamento, vontade política e compromisso com a juventude amapaense.
Porque quando o Estado falha, o crime preenche o vazio.
