Lar Amapá Quando um policial puxa o gatilho, ele o faz não apenas com a própria mão, mas sob a autoridade e o treinamento que lhe foram concedidos pelo Estado

Quando um policial puxa o gatilho, ele o faz não apenas com a própria mão, mas sob a autoridade e o treinamento que lhe foram concedidos pelo Estado

O caso do Pantanal não é só sobre abuso policial. É sobre a ausência de políticas públicas eficazes para a juventude da periferia. É sobre a falta de transparência nas operações policiais

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Quando o gatilho é puxado, o Estado também dispara

Por Bambam News

O que aconteceu no último fim de semana no bairro Pantanal, zona oeste de Macapá, não pode ser tratado como um incidente isolado ou como mera estatística da violência urbana. Sete jovens  foram alvejados por agentes da Polícia Militar do Amapá em uma ação que ainda carece de explicações convincentes. As vítimas, segundo relatos de moradores, não estavam armadas nem ofereceram resistência. A operação, envolta em contradições, acendeu um alerta sobre os limites da ação policial e a responsabilidade institucional por cada disparo efetuado.

Quando um policial puxa o gatilho, ele o faz não apenas com a própria mão, mas sob a autoridade e o treinamento que lhe foram concedidos pelo Estado. Cada bala disparada carrega, simbolicamente, a assinatura da cúpula da segurança pública, da governadoria e de todos os que têm o dever de formular, fiscalizar e garantir políticas de segurança baseadas em direitos, proporcionalidade e respeito à vida.

O caso do Pantanal não é só sobre abuso policial. É sobre a ausência de políticas públicas eficazes para a juventude da periferia. É sobre a falta de transparência nas operações policiais. É, sobretudo, sobre um Estado que se omite quando deveria proteger e que se cala quando deveria prestar contas.

O governo, o secretário de Justiça e Segurança Pública e o comando da PM têm a obrigação de se manifestar com clareza: quem autorizou a ação? Quais os critérios utilizados? Onde estão as câmeras corporais dos policiais? Quem responderá pela tragédia?

Silenciar diante de sete jovens baleados é ser cúmplice. É normalizar a letalidade como resposta. É ignorar que, nas periferias, a cor, o CEP e o modelo da moto muitas vezes valem mais do que qualquer suspeita fundamentada.

O caso do Pantanal deve ser investigado com rigor e total transparência. Não apenas pelos órgãos de controle, mas também pela sociedade civil, imprensa e entidades de direitos humanos. Porque, quando um policial atira, não é apenas o barulho do disparo que ecoa. Ecoa também a pergunta incômoda: de que lado está o Estado?

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