Enquanto o Amapá convive com o aumento alarmante de casos de feminicídio, uma decisão do governo estadual chama atenção e levanta questionamentos: o governador Clécio Luís segue mantendo no comando do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (IAPEN) o diretor Luís Carlos Gomes, figura cercada por controvérsias e denúncias graves.

Luís Carlos já foi acusado de violência doméstica e psicológica contra a própria ex-esposa um histórico que, em qualquer gestão que trate o combate à violência contra a mulher como prioridade, deveria acender um alerta vermelho imediato. No entanto, no Amapá, aparentemente o sinal continua verde.

O contraste é gritante. Enquanto campanhas institucionais falam em proteção às mulheres, a prática política parece caminhar em outra direção. A permanência de Luís Carlos no cargo transmite uma mensagem desconfortável: o discurso oficial é um, mas as decisões administrativas contam outra história.

Mas as polêmicas não param por aí.
Nos bastidores do sistema prisional, relatos apontam que o diretor teria demonstrado interesse incomum e possível favorecimento à empresa Cozinha Gourmet, companhia que já foi alvo de denúncias envolvendo facilitação da entrada de drogas e armas dentro do presídio.
Agora, a mesma empresa aparece novamente no radar após assinar contrato emergencial para fornecimento de alimentação ao IAPEN. O problema é que, segundo fontes internas do próprio instituto, a estrutura da empresa não teria condições sanitárias e operacionais mínimas para iniciar o serviço previsto para 15 de março.
Ou seja: enquanto se prepara um contrato emergencial para alimentar centenas de detentos, pairam dúvidas sérias sobre a capacidade real da empresa cumprir o serviço com segurança e qualidade.
Diante de tantas controvérsias violência doméstica, suspeitas de favorecimento empresarial e um presente de alto valor vindo do mesmo setor que negocia com o Estado a pergunta que fica no ar é direta:
até quando o governador Clécio continuará fingindo que nada está acontecendo dentro do IAPEN?
Porque, quando o assunto é segurança pública, violência contra mulheres e gestão do sistema prisional, silêncio político também vira posicionamento.
