Lar Amapá “Operação Proibida” no BRB e a Teimosia de R$ 400 milhões no Master: Conselheira Michele Cavalcante Desvenda Investimentos Ilegais da AMPREV

“Operação Proibida” no BRB e a Teimosia de R$ 400 milhões no Master: Conselheira Michele Cavalcante Desvenda Investimentos Ilegais da AMPREV

Diante da objeção, o presidente da AMPREV, Jocildo Lemos, tentou justificar a operação com uma "interpretação" da norma. A manobra foi vista pelos especialistas como uma tentativa frágil de legitimar o ilegal.

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Amapá, 16/01/2026 – Um padrão de gestão temerária, que ignora alertas formais, contorna a lei federal e coloca em risco centenas de milhões de reais dos servidores públicos amapaenses. Essa é a prática exposta pelos registros da Amapá Previdência (AMPREV) em 2025, que revelam uma sequência de decisões do Comitê de Investimentos (CIAP) questionáveis e potencialmente lesivas ao patrimônio previdenciário.

A crise, detalhada na 7ª Reunião Extraordinária do Conselho Estadual de Previdência (19/11/2025), tem duas frentes explosivas: a teimosa aplicação de R$ 400 milhões no já abalado Banco Master e uma nova operação de R$ 50 milhões no Banco de Brasília (BRB), esta última em aparente desacordo frontal com a legislação federal.

A Operação Proibida: R$ 50 milhões no BRB contra a norma federal

A conselheira Michele Cavalcante trouxe à tona a mais grave das irregularidades. Em 14 de fevereiro de 2025, o CIAP aprovou a aplicação de R$ 50 milhões no BRB, banco controlado pelo Governo do Distrito Federal. A lei, no entanto, é cristalina: os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) têm vedação expressa a investir em instituições financeiras controladas por entes da federação.

Diante da objeção, o presidente da AMPREV, Jocildo Lemos, tentou justificar a operação com uma “interpretação” da norma. A manobra foi vista pelos especialistas como uma tentativa frágil de legitimar o ilegal. “A norma do Ministério da Previdência é clara. O BRB se enquadra exatamente na vedação. Foi ignorância, má-fé ou irresponsabilidade?”, questiona-se nos bastidores do conselho. O fato de a operação ter sido feita quando o BRB já era apontado como possível comprador do conturbado Banco Master apenas aumenta o espanto com a falta de cautela.

A Teimosia Custa-Caríssima: R$ 400 milhões no Banco Master, alerta após alerta

A relação da AMPREV com o Banco Master é um caso clássico de alertas ignorados. A conselheira Cavalcante apresentou uma linha do tempo devastadora:

  • 08/07/2024: Notícias públicas já relatavam a destituição de gerentes da Caixa Asset que se recusaram a aplicar R$ 500 milhões no Master por considerar o risco alto.

  • 12/07/2024: Apesar do sinal de perigo, o CIAP aprovou a aplicação de R$ 200 milhões no banco.

  • Poucos dias depois: Foi publicado o Parecer nº 146/2024 do Ministério da Previdência, recomendando expressamente cautela e evitação de riscos reputacionais. A AMPREV seguiu em frente.

  • Fim de julho/2024: Em unanimidade que hoje soa como surpreendente, o CIAP aprovou mais R$ 100 milhões, totalizando R$ 400 milhões aplicados em uma instituição já sob forte nuvem de desconfiança no mercado.

“Por que o CIAP seguiu aplicando recursos mesmo diante de alertas formais e exposições negativas?”, indagou a conselheira, sem obter uma resposta técnica convincente.

A Autocrítica que Não Vem: “Não adianta buscar culpados”

A reação interna à exposição das falhas foi, por si só, reveladora. Enquanto conselheiros pediam transparência e mudança na composição de um grupo de trabalho para investigar o caso, o presidente manteve a formação original – os mesmos que decidiram os investimentos agora avaliam suas próprias decisões.

Mais emblemática foi a fala do conselheiro Jackson de Oliveira. Ao tentar minimizar o episódio dos R$ 400 milhões, afirmou que “não adianta buscar culpados” e tratou os alertas públicos e pareceres oficiais como “boatos e notícias desencontradas”. Para ele, o caso serviu para “aperfeiçoar filtros”. A fala ecoa a postura de uma gestão que parece aprender às custas de erros monumentais, pagos com o dinheiro da segurança futura dos servidores.

O presidente Jocildo Lemos afirmou atuar com “responsabilidade” e zelo pelo seu “nome e CPF”. Para os conselheiros críticos e servidores que acompanham a situação, porém, o primeiro dever inegociável é o zelo irrestrito pela lei e pelo dinheiro público, que neste momento está exposto a um risco desnecessário e evitável.

A pergunta que ecoa no plenário e nas ruas é direta: quantos milhões ainda precisam ser colocados em risco antes que a gestão da AMPREV adote, de fato, o mínimo de prudência exigida para cuidar do futuro de milhares de famílias amapaenses?

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