A crise no setor elétrico do Amapá virou palco de uma disputa política acirrada. Tudo começou quando o senador Lucas Barreto, denunciou, na tribuna do Senado, mais um aumento tarifário autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O assunto viralizou nas redes sociais e expôs uma tensão que vai além da conta de luz.
Nos dias seguintes, internautas e veículos independentes apontaram uma investida coordenada, com suposto uso de verba pública, para contratar jornalistas, blogueiros e influenciadores com o objetivo de atacar o prefeito de Macapá, Antônio Furlan , que não tem relação direta com a tarifa. A situação escalonou a ponto de os senadores Davi Alcolumbre e Randolfe Rodrigues, se manifestarem publicamente, pressionados pela repercussão popular.
Foi então que o governador do Amapá, Clécio Luís (Solidariedade), anunciou uma viagem a Brasília com o objetivo de tentar suspender o reajuste junto à ANEEL. No entanto, a iniciativa foi recebida com desconfiança por parte de opositores e analistas, que a classificam como “jogo de cena” e “fingimento”.
Para críticos, a viagem seria uma jogada ensaiada para desviar a atenção do uso político da máquina pública e projetar Clécio como “salvador da pátria” em meio ao desgaste causado pela crise energética. “É tudo teatro. Ele sabe que a ANEEL tem autonomia e que a tarifa dificilmente será suspensa. A viagem é para a galera ver e acreditar que ele está lutando pelo povo”, comentou um assessor parlamentar que preferiu não se identificar.
A oposição local já batizou a ação de “migué da turma do atraso”, sugerindo que se trata de uma manobra para mascarar a falta de ações efetivas e a intensificação de ataques pagos a adversários. Enquanto isso, a população amapaense aguarda uma solução para os constantes aumentos na conta de luz, sem saber em que cenário político acreditar.
Procurados, o governo do Amapá e a assessoria de Clécio Luís não se pronunciaram até o fechamento desta edição. A ANEEL, por sua vez, reiterou que o reajuste segue os critérios técnicos e regulatórios estabelecidos em contrato.
