Abandono e descaso: a dura realidade de Celso Rabelo, ex-servidor da Rádio Difusora do Amapá
O drama vivido por Celso Rabelo, técnico, operador de áudio e vídeo e comunicador que dedicou mais de 30 anos de sua vida à Rádio Difusora de Macapá, escancara o contraste entre o discurso oficial do Governo do Amapá e a dura realidade enfrentada por quem serviu ao Estado.
No dia 31 de junho de 2025, Celso deu entrada no Hospital de Emergências (HE) de Macapá após complicações decorrentes da diabetes. Oito dias depois, foi transferido para o Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL), onde permanece internado há mais de 30 dias, em estado de abandono, aguardando procedimentos médicos que podem culminar na amputação de dedos ou até mesmo do pé.

A situação é tão grave que a família de Celso recorreu ao Ministério Público da Saúde, que já se manifestou favoravelmente ao tratamento adequado do comunicador. Mesmo assim, nada foi feito até agora pelo governo estadual, que insiste em ignorar a determinação e deixar o servidor histórico à própria sorte.
Enquanto um trabalhador agoniza em um leito, o governador Clécio Luís direciona R$ 44 milhões na Expofeira para festas e eventos, demonstrando que, para o governo, o espetáculo e a promoção política parecem ter mais valor do que a saúde e a dignidade daqueles que ajudaram a construir a comunicação pública do Amapá.
Celso Rabelo não foi apenas um funcionário da Rádio Difusora AM: foi um pilar da comunicação do Estado, acompanhando governos, levando informação ao povo e garantindo que a voz do Amapá chegasse aos lugares mais distantes. Hoje, no entanto, paga o preço do esquecimento e do descaso oficial, abandonado em um leito hospitalar sem o amparo necessário.
O caso de Celso expõe uma ferida aberta: servidores que deram a vida ao serviço público, mas que, ao precisarem de apoio, recebem como resposta a indiferença do poder. O contraste é cruel: de um lado, os milhões gastos em shows; de outro, um trabalhador histórico da comunicação esperando a hora de perder parte do próprio corpo por falta de assistência adequada.
👉 A pergunta que fica é: até quando a vida dos servidores valerá menos que a vaidade política?
