DESCASO COM A VIDA: CELSO RABELO É MAIS UMA VÍTIMA DO CAOS NA SAÚDE DO AMAPÁ
O drama do amapaense Celso Rabelo dos Santos escancara, mais uma vez, o colapso da saúde pública no Estado do Amapá. Portador de diabetes e em estado grave, ele necessita com urgência de uma cirurgia de angioplastia no membro inferior direito para evitar a amputação. Mesmo com decisão favorável do Ministério Público do Amapá (MP-AP), que ingressou com Ação de Obrigação de Fazer contra o Estado, nada foi feito até agora.
O documento, assinado pelo promotor de justiça Wueber Duarte Penafort, obriga o governo estadual, por meio da Secretaria de Saúde, a viabilizar em até 24 horas o procedimento cirúrgico, sob pena de multa diária de R$ 7.886,63. No entanto, a ordem judicial vem sendo ignorada, colocando em risco iminente a vida e a integridade física de Celso Rabelo.
A família, em desespero, buscou o Ministério Público após inúmeras tentativas frustradas de garantir o atendimento pela rede estadual. A Justiça reconheceu a urgência e determinou que, caso o Estado não ofereça o procedimento pelo SUS, o tratamento deve ser custeado na rede privada ou via Programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD).
O caso expõe a contradição gritante da atual gestão do governador Clécio Luís. Enquanto o governo anuncia investimentos milionários em festas e eventos — só a Expofeira 2025 consumirá mais de R$ 44 milhões —, pacientes como Celso Rabelo agonizam sem atendimento adequado.
A decisão judicial é clara: o Estado tem obrigação de garantir o direito fundamental à saúde, previsto na Constituição Federal. No entanto, a omissão do poder público deixa evidente a falta de prioridade com vidas humanas.
Celso Rabelo dedicou anos de sua vida ao serviço público estadual, e agora, no momento em que mais precisa, encontra-se abandonado, à espera de um gesto mínimo de humanidade e responsabilidade governamental.
A pergunta que fica é: quantos mais precisarão sofrer, ou até mesmo morrer, para que a saúde do Amapá deixe de ser tratada com descaso?
O caso seguirá sendo acompanhado, e a sociedade precisa cobrar respostas.
