CONSERVA DE CRISE: IAPEN TORRA QUASE R$ 1 MILHÃO EM LATA, BISCOITO E REFRIGERANTE PARA EVITAR MOTIM
Quando o assunto é planejamento, parece que o sistema prisional do Amapá anda funcionando no modo “abre a lata e vê no que dá”. O Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (IAPEN) decidiu gastar R$ 957.031,20 em uma compra emergencial de alimentos não perecíveis após o contrato de fornecimento de refeições prontas começar a dar mais problema que panela esquecida no fogo.
A solução encontrada pelo Estado foi montar um estoque estratégico digno de mercearia de emergência:
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48 mil latas de carne em conserva,
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96 mil refrigerantes,
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16 mil pacotes de biscoito cream cracker,
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19,2 mil pacotes de farinha de mandioca.
Tudo isso comprado sem licitação, por meio de dispensa prevista na Lei 14.133, sob a justificativa de que a situação virou uma bomba-relógio dentro do sistema prisional.
A cozinha que virou caso de Justiça
Documentos oficiais apontam que a empresa responsável pelo Contrato Emergencial nº 025/2025 vinha acumulando problemas: atraso na entrega das refeições, comida em condições sanitárias questionáveis e até irregularidades na estrutura da cozinha industrial.
A situação ficou tão crítica que o Poder Judiciário entrou no circuito, exigindo do IAPEN um plano para evitar que presos e servidores ficassem sem alimentação — cenário que poderia resultar em tensão ou até motins nas unidades prisionais.
Plano emergencial: abrir a lata
Com medo de faltar comida atrás das grades, o plano agora é simples: se a marmita falhar, abre-se a conserva.
Os alimentos ficarão centralizados na Unidade de Assistência Material e Alimentação (UMA) e serão usados apenas em situações críticas — quando a comida atrasar, quando houver pane operacional ou quando a refeição simplesmente não tiver condições de ir para o prato.
Refrigerante no cardápio da crise
Entre as curiosidades da lista está a compra de 96 mil unidades de refrigerante de 200 ml. Na prática, o “combo emergencial” do sistema prisional poderá incluir carne enlatada, farinha, biscoito e refrigerante — uma espécie de kit sobrevivência penitenciária.
Quase um milhão para tapar buraco
O contrato prevê entrega dos produtos em até 72 horas após a solicitação, com vigência de 12 meses, sem possibilidade de prorrogação, como determina a lei em casos emergenciais.
No papel, a justificativa é garantir a dignidade alimentar da população carcerária e manter a segurança nas unidades.
Na prática, a situação expõe mais um capítulo da gestão improvisada dentro do sistema prisional, onde o planejamento falha, a crise aparece… e o Estado corre para comprar quase um milhão em lata de conserva para apagar o incêndio.
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