Lar Amapá A Cúpula Alcolumbrista: Os Aliados no Centro do Poder

A Cúpula Alcolumbrista: Os Aliados no Centro do Poder

A Teia de Poder: Do Amapá a Faria Lima, Como Negócios, Política e Carnaval Se Entrelaçam no Tabuleiro Nacional

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Por Jean Bambam

Uma complexa teia de interesses, que mistura o poder político de senadores, a formação de federações partidárias, os negócios de um banco em São Paulo e até os recursos públicos destinados a uma escola de samba no Rio de Janeiro, tem seu epicentro em um ponto muitas vezes subestimado no mapa do poder: o estado do Amapá. Uma investigação mais aprofundada revela conexões nada republicanas que ligam a periferia amazônica aos centros decisórios do país, expondo um modus operandi que se espalha por Minas Gerais, Piauí, Bahia, São Paulo, Maranhão e Rio de Janeiro, operado por uma cúpula política coesa.

A Cúpula Alcolumbrista: Os Aliados no Centro do Poder

O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado Federal, não atua sozinho. Sua influência é amplificada por uma base de aliados estratégicos em comissões chave e nos plenários. Destaque para os senadores Rodrigo Pacheco (PSD/MG) e Weverton Rocha (PDT/MA), considerados soldados de linha de frente da articulação alcolumbrista.

A solidez dessas alianças é testada sob a luz de investigações. Pacheco, por exemplo, teve seu nome citado pela Polícia Federal na Operação Lívia, que investiga a extração ilegal de ouro em Minas Gerais. Já Weverton Rocha é alvo de apurações no suposto esquema de corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o caso do “Careca do INSS”. Estes vínculos investigativos com figuras centrais de sua base de apoio lançam uma sombra sobre o tipo de articulação política que Alcolumbre preside no comando do Senado.

O Axé da Política: A Conexão Bahia-Amapá

E o que a terra de ACM Neto, do União Brasil, tem a ver com isso? A conexão se dá por dois personagens distintos. De um lado, José Marcos Moura, conhecido como “O Rei do Lixo”, um empresário baiano com vasta rede de contratos públicos e histórico de embates com o Tribunal de Contas da União (TCU). Sua presença no tabuleiro evidencia o interesse de grupos econômicos com histórico questionável nos bastidores dessa teia.

De outro, a fachada cultural: o cantor Carlinhos Brown. Enquanto o governo do Amapá direcionava R$ 10 milhões para o carnaval carioca da Mangueira, Brown foi contratado como o “homem que representa a cultura do Amapá”. Recentemente, ele esteve no Rio de Janeiro promovendo a cultura amapaense, especificamente o Marabaixo, em um stand de luxo. A contratação de um astro de peso para um evento específico, enquanto a verba milionária migra para o Sudeste, levanta questionamentos sobre a estratégia cultural real do estado: promover sua identidade ou criar cortinas de fumaça midiáticas?

O Núcleo Duro: Amprev, Master e a Federação no Poder

No centro operacional desta trama está a Amprev. Longe de ser uma simples instituição de previdência, ela é a peça-chave de um sofisticado arranjo. A empresa nasce da união entre o Banco Master, do empresário Vorcaro, e o influente Ciro Nogueira, presidente do Progressistas (PP).

Esta parceria empresarial espelha a união partidária: o PP formou uma federação com o União Brasil, partido do qual Antônio Rueda é presidente nacional – justamente um amigo próximo de Vorcaro. E no ápice deste acordo, sustentando-o, está o senador Davi Alcolumbre, o principal nome do União Brasil no Senado. É essa federação partidária que fornece a base de sustentação para Alcolumbre na mesa diretora e facilita a circulação de interesses.

A ambição do grupo, no entanto, não se limita a Brasília. A ida de representantes da Amprev à Faria Lima, em São Paulo, é a materialização do projeto de conectar o capital político acumulado ao principal centro do país, buscando legitimidade e expansão para os negócios que nascem nos gabinetes. Faria Lima é o principal centro financeiro e corporativo do Brasil, abrigando sedes de bancos, corretoras, grandes empresas e edifícios modernos, sendo um símbolo do mercado financeiro e do universo de negócios do país

O Elo Carnavalesco: Mangueira, Vorcaro e AMPREV

O ponto que mais escancara a lógica de bastidores é o repasse de R$ 10 milhões do governo do Amapá e os  R$ 400 milhões que a Amprev investiu em letras financeiras do Banco Master em 2024, representando 4,7% do patrimônio líquido total da instituição. comandado por Clécio Luís (SD), para a Estação Primeira de Mangueira. A justificativa era o patrocínio cultural, mas a coincidência é gritante: o empresário Vorcaro, sócio do Banco Master na Amprev, é um notório amante do carnaval carioca.

A liberação do recurso contou com as bênçãos de Alcolumbre e foi articulada por Jocildo Lemos, presidente da Liga das Escolas de Samba do Amapá (Liesap). A teia se fecha de forma perfeita e emblemática: Jocildo Lemos é, hoje, o diretor-presidente da Amprev. A mesma pessoa que gerenciava os interesses do samba local e intermediou um mega patrocínio com o dinheiro público amapaense no Rio, agora comanda a empresa símbolo da articulação político empresarial no estado. É a clássica rotatividade de cargos que funde o público, o privado e o interesse cultural em uma só massa de manobra.

Conclusão: A República das Teias

A narrativa que se desenha vai muito além de um caso isolado de mau uso de recursos. Revela um sistema de poder integrado, onde uma federação partidária (União Brasil-PP) serve de base para uma operação que envolve um banco (Master), um fundo de pensão (Amprev) e a gestão de um estado (Amapá).

Os R$ 10 milhões para a Mangueira são a ponta de um iceberg. A teia se alimenta de alianças com figuras sob investigação, como Pacheco e Weverton, e se ramifica para incluir interesses de empresários de setores sensíveis, como o de resíduos sólidos na Bahia, tudo embalado por uma estratégia de marketing cultural que tenta dar um verniz de legitimidade.

Enquanto isso, a população do Amapá, estado que enfrenta graves desafios em saúde, educação e infraestrutura, assiste a seu orçamento ser drenado para patrocínios de alto luxo no Sudeste e para sustentar uma máquina política cujos fios, esticados de Norte a Sul do país, parecem tecer tudo, menos o bem-estar público.

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