A máscara do “aliado” caiu. Em um movimento de pura e dura retaliação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu trocar o interesse público pelo seu ressentimento pessoal. A traição foi lavada a limpo em ligações telefônicas a colegas senadores: ele não apenas votará contra a indicação de Jorge Messias ao STF, como anunciou que “trabalhará ativamente” para derrotar o nome escolhido pelo presidente Lula.
O que se vê não é um debate de méritos sobre a competência do advogado-geral da União. É a encenação patética de um barão do centrão que viu seu projeto de poder particular ser ignorado. Alcolumbre, que se vendia ao Planalto como o contraponto de “estabilidade” frente a Hugo Motta, revela sua verdadeira face: a de um operador que só é aliado enquanto seus desejos pessoais forem atendidos.
Sua obsessão era clara: empurrar o nome do colega Rodrigo Pacheco para a vaga de Barroso no Supremo. Era um projeto de autopromoção, uma manobra para colocar um aliado de extrema confiança no alto judiciário, consolidando seu próprio quadrilátero de influência. O Palácio do Planalto, no entanto, preferiu não transformar o STF em moeda de troca de cargos legislativos e manteve sua escolha: um nome de estrita confiança do Presidente.
A resposta de Alcolumbre foi imediata e infantil. Como uma criança que leva sua bola para casa porque não foi ela quem decidiu as regras do jogo, ele agora tenta estragar a partida para todos. A “articulação” que ele promete não é para buscar o melhor para o país, mas para vingar sua própria frustração.
O episódio escancara o mar de lama que é a relação entre os Poderes. O Senado, que deveria ser a Casa da ponderação e da análise técnica, mais uma vez se reduz a um palco de birras e queimas de arquivo. A nomeação para uma das cortes mais importantes do mundo está sendo tratada como um cargo de gabinete a ser negociado em troca de lealdades cegas.
A pergunta que fica, e que ecoará pelos corredores do Congresso, é: até quando o Brasil será refém dos caprichos pessoais de seus supostos líderes? Alcolumbre, em sua fúria, pode até conseguir derrotar Messias. Mas, no processo, ele enterra de vez qualquer vestígio de sua credibilidade e prova que, para alguns, o poder não é um instrumento para servir, mas um brinquedo para quebrar quando não se sai com a própria vontade.
