Um dado no mínimo estranho chamou atenção de auditores e colocou o estado do Amapá no centro de mais uma polêmica envolvendo a destinação de recursos públicos. Segundo reportagem publicada neste sábado (5) pela Folha de S. Paulo, o governo amapaense teria inflado os números da população que supostamente precisaria de exames de raio-X, alcançando 98% dos habitantes, com o objetivo de justificar o aumento expressivo nas verbas de emendas parlamentares.
A auditoria independente revelou que houve uma distorção na estimativa da demanda por exames, prática que levanta sérias suspeitas sobre o real destino dos recursos e a transparência na gestão desses valores. De acordo com especialistas, é altamente improvável que quase a totalidade da população do estado necessite desse tipo de exame em um curto período.
A manobra — que teria resultado na multiplicação do valor destinado ao setor — pode configurar uma tentativa de burlar os critérios técnicos exigidos para liberação de recursos federais via emendas parlamentares. Imagens mostram equipamentos e salas de raio-X em diferentes unidades de saúde, mas a discrepância entre a estrutura existente e os números apresentados reforça as suspeitas.
O caso deve ser analisado por órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF), que podem instaurar investigações sobre possível má gestão de verbas públicas, improbidade administrativa e manipulação de dados para fins políticos.
Enquanto isso, a população do Amapá segue à espera de uma saúde pública eficiente e transparente — e não de dados forjados para justificar o injustificável.
