R$ 256 MILHÕES E A PERGUNTA QUE NÃO CALA: CADÊ O RESULTADO?
Enquanto o amapaense encara filas na saúde, obras que se arrastam há anos e serviços públicos que funcionam no improviso, a conta da política segue gorda e muito bem alimentada. O Projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 escancara isso: a Assembleia Legislativa do Amapá terá mais de R$ 256,6 milhões à disposição.
Sim, você leu certo. Um orçamento robusto, integralmente bancado pelo Tesouro Estadual — ou seja, pelo bolso do contribuinte.
Mas a pergunta que ecoa nas ruas é simples e direta: o que a população está recebendo em troca desse investimento milionário?
Na prática, o contraste é gritante. De um lado, um Legislativo com estrutura confortável, recursos garantidos e estabilidade institucional. Do outro, uma população lidando com a falta de medicamentos, escolas com problemas estruturais e obras públicas que parecem nunca sair do papel.
E quando se fala em resultado, a percepção popular não perdoa: o que deveria ser fiscalização firme e atuação técnica muitas vezes dá lugar a um roteiro previsível — sessões mornas, discursos protocolares e uma enxurrada de homenagens que pouco mudam a vida de quem está na ponta.
A função da Assembleia não é decorar o Diário Oficial com moções. É fiscalizar, cobrar, investigar e legislar com impacto real.
O problema é que, diante de um orçamento desse tamanho, cresce também a cobrança — e ela vem forte. Porque não basta ter dinheiro. É preciso mostrar serviço.
E até agora, para muitos amapaenses, a conta não fecha.
Mais de R$ 256 milhões exigem mais do que presença em plenário: exigem coragem, independência e resultado.
Porque, no fim das contas, quem paga essa conta é o povo — e o povo já começou a perguntar se está valendo a pena.
