Aturiá: quando a política troca diálogo por remoção à força
A história da obra da Orla do Aturiá, na zona sul de Macapá, virou um retrato claro de duas formas bem diferentes de lidar com a população.

Em fevereiro de 2024, o prefeito Dr. Furlan chegou a anunciar a ordem de serviço para a construção da orla, com investimento de R$ 12 milhões sendo R$ 8 milhões de emenda e R$ 4 milhões de contrapartida da Prefeitura de Macapá.

Naquele momento, segundo relatos dos próprios moradores, já havia negociação em andamento para que as famílias permanecessem no local, dentro de um modelo de urbanização que buscava evitar a retirada forçada das pessoas que vivem há anos na área.

Mas a história mudou de rumo.
Após disputa judicial e institucional, o Governo do Estado do Amapá assumiu a obra, anunciando um projeto mais amplo de urbanização que ligaria o Aturiá ao Complexo do Meio do Mundo, com investimento de R$ 30 milhões provenientes do Orçamento Geral da União, viabilizados por emenda do senador Davi Alcolumbre.

O discurso oficial era ambicioso: transformar o local no “trecho mais lindo da orla de Macapá”.
O problema é que, na prática, o que a população passou a ver foi outra coisa.

Quase dois anos depois do anúncio, a obra ainda não foi entregue e o que mais tem chamado atenção não é a urbanização prometida, mas a retirada forçada de moradores que viviam no local, gerando tensão, insegurança e revolta entre famílias que construíram suas casas ali ao longo de anos.
Enquanto uma proposta inicial apontava para negociação e permanência das famílias, o que se viu na execução do projeto estadual foi máquinas, demolições e famílias pressionadas a sair.
A pergunta que muitos moradores fazem hoje é simples:
Se o objetivo era melhorar a cidade, por que transformar o processo em conflito com quem mora lá?
Urbanização não deveria significar expulsão de quem sempre viveu no bairro.
E depois de quase dois anos de promessas, o Aturiá continua esperando algo que ainda não chegou:
a obra pronta e uma solução digna para quem chama aquele lugar de casa.
