Lar Amapá Foragido : Segundo a PF, Jocildo teria tomado ciência antecipada da operação de busca e apreensão.

Foragido : Segundo a PF, Jocildo teria tomado ciência antecipada da operação de busca e apreensão.

Ele saiu de casa antes da chegada dos policiais, repassou o celular pessoal a um amigo e, ao retornar, entregou um aparelho recém-habilitado aos agentes.

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Caso Master: vazamento, manobra e silêncio oficial expõem fragilidade na Amprev

A investigação da Polícia Federal sobre os investimentos da previdência estadual do Amapá ganha contornos cada vez mais graves. Relatório encaminhado à Justiça aponta indícios de vazamento de informações sigilosas envolvendo o diretor-presidente da Amapá Previdência, Jocildo Silva Lemos justamente o homem que deveria zelar pela lisura e segurança dos recursos dos servidores públicos.

Segundo a PF, Jocildo teria tomado ciência antecipada da operação de busca e apreensão. O comportamento registrado chama atenção: ele saiu de casa antes da chegada dos policiais, repassou o celular pessoal a um amigo e, ao retornar, entregou um aparelho recém-habilitado aos agentes. Para investigadores, a sequência levanta suspeitas claras de tentativa de ocultar provas e frustrar a ação policial.

Não se trata de detalhe menor. Jocildo é apontado no relatório como mentor intelectual e principal articulador das decisões no Comitê de Investimentos da Amprev — o mesmo comitê que autorizou aportes milionários no Banco Master, ignorando alertas técnicos e riscos elevados. Os repasses, segundo a PF, chegam a cerca de R$ 400 milhões, cifra que coloca em xeque o futuro previdenciário de milhares de servidores.

A gravidade aumenta quando o próprio investigado admite ser aliado e indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Embora Alcolumbre não seja investigado, a ligação política escancara um problema recorrente: a captura de cargos técnicos por indicações políticas, criando zonas de proteção informal e dificultando a responsabilização quando surgem indícios de irregularidades.
Diante desse cenário, o silêncio do Governo do Estado é ensurdecedor. Em qualquer gestão comprometida com a transparência, afastamento cautelar seria o mínimo até a apuração completa dos fatos. Manter o dirigente no cargo, com suspeitas de vazamento e ocultação de provas, fragiliza a investigação e passa uma mensagem perigosa à sociedade: a de que o poder político pesa mais que o interesse público.
O Caso Master já não é apenas sobre investimentos mal avaliados. É sobre governança, responsabilidade e respeito ao dinheiro do povo. Se há indícios de alerta prévio, troca de aparelhos e decisões contra pareceres técnicos, o problema não é administrativo — é institucional. E quanto mais se protela uma resposta firme, maior o dano à credibilidade do Estado e à confiança dos servidores.
Transparência não se proclama. Se prova com atos.

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