Denuncia do Deputado R.Nelson: Orçamento da Ciência e Educação é Desviado para Bancar Festividades
Remanejamento de R$ 10 milhões, incluindo verba específica da UEAP, para custear eventos festivos expõe a inversão de prioridades do Governo do Estado.
Em um momento que exige responsabilidade fiscal e compromisso inabalável com o interesse público, o Governo do Estado promoveu um remanejamento orçamentário que causa espanto e indignação. A prioridade anunciada não foi a saúde, a educação ou a segurança, mas sim a festa. Aproximadamente R$ 10 milhões foram transferidos para custear shows e eventos festivos, em uma clara demonstração de onde residem as verdadeiras intenções da gestão.

O caso mais emblemático e grave desse contorcionismo de prioridades veio da Universidade do Estado do Amapá (UEAP). Do programa de Gestão da Política de Ciência, Tecnologia e Inovação, foram drenados R$ 2,8 milhões. Esse valor, destinado a fomentar pesquisa, inovação e o futuro acadêmico do estado, foi desviado para bancar o Festival Equinócio. Ou seja, o conhecimento foi sacrificado em prol do entretenimento.

Não se trata de ser contra a cultura
É crucial deixar claro: a questão não é ser contra a cultura popular ou os eventos que movimentam o comércio e o turismo. Essas atividades têm seu valor social e econômico. O cerne da crítica é a fonte do recurso. Quando o governo precisa escolher entre investir no laboratório de uma universidade pública ou no palco de um show, a escolha revela seu caráter. Em tempos de restrição orçamentária, retirar verbas de áreas estratégicas e de longo prazo como a ciência e a educação é um ato de miopia administrativa que o estado pagará caro no futuro.

Cada decisão orçamentária é uma declaração de princípios
Um orçamento público não é apenas uma planilha de números; é a materialização das promessas e dos valores de um governo. A decisão de remanejar verbas da educação para festas envia uma mensagem clara à sociedade: para esta gestão, o brilho efêmero dos holofotes vale mais que a luz duradoura do conhecimento.

Enquanto universidades lutam por recursos para manter laboratórios funcionando, comprar insumos e financiar bolsas de pesquisa, o governo sinaliza que tais investimentos são negociáveis. O que está em jogo é o projeto de sociedade que queremos construir: uma que aposta no seu capital intelectual ou uma que prefere o imediatismo de eventos com data marcada para acabar.

A defesa intransigente de que o dinheiro público, especialmente o da educação, deve servir àquilo que realmente transforma uma sociedade – o conhecimento, a ciência e a formação de cidadãos críticos – é mais urgente do que nunca. O desvio de prioridades precisa ser nomeado e combatido, para que o futuro não seja vendido barato em troca de um show.
