A tão esperada reconstrução da Rodovia Josmar Pinto (antiga JK), principal via de acesso ao balneário da Fazendinha, virou um verdadeiro pesadelo para comerciantes, moradores e turistas que tentam aproveitar o Macapá Verão. Iniciada em novembro de 2023, a obra está praticamente paralisada e sem qualquer previsão oficial de conclusão, gerando revolta e prejuízo.
O projeto prevê a recuperação completa da estrada, incluindo sub-base, pavimentação com asfalto quente, construção de acostamentos que serviriam como áreas de fuga, além de um canteiro central separando as duas pistas de rolamento. Porém, quase um ano depois do início, o que se vê é um canteiro de obras mal sinalizado, muita poeira, buracos e trânsito caótico.
A empresa responsável pela execução do serviço é a construtora do empresário Josmar Pinto, que hoje dá nome à rodovia. O valor do contrato é de R$ 94,7 milhões, recurso articulado politicamente pelo senador Davi Alcolumbre junto à Codevasf, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, comandado pelo ex-governador Waldez Góes.
No entanto, o que deveria ser uma obra de impacto positivo virou motivo de indignação. Bares, restaurantes e vendedores ambulantes da Fazendinha amargam prejuízos por conta da dificuldade de acesso e da falta de estrutura. Os engarrafamentos, a insegurança no trajeto e o visual de abandono afastam turistas e moradores, justamente no período em que o Macapá Verão atinge seu auge.
“Estão matando a temporada. Trabalhamos o ano todo esperando esses dois meses de movimento, e o governo parece não se importar com quem vive do turismo”, reclama um comerciante da região, que preferiu não se identificar.
A população cobra respostas: quando essa obra vai acabar? Até agora, o Governo estadual e a Codevasf não se manifestaram sobre prazos, enquanto a população , mesmo sem gerenciar o contrato, sofre com os reflexos da má execução e da lentidão.
Fica o questionamento: como uma obra com verba milionária, bancada por figuras de peso na política amapaense, consegue se transformar num problema que sufoca a economia local e destrói a principal temporada turística da capital?
A novela da Rodovia Josmar Pinto está longe de acabar — e enquanto isso, quem paga a conta é o povo.
