Pedidos ignorados, denúncias de pressão interna e omissão da SEED escancaram crise dentro da unidade escolar RUTH BEZERRA
Macapá – A crise na Escola Estadual Ruth de Almeida Bezerra não só continua como se aprofunda e agora com novos elementos que deixam a situação ainda mais grave. Professores denunciam um ambiente de desorganização, pressão interna e total desprezo por propostas que poderiam melhorar o ensino.
O ponto central do conflito segue sendo a condução da gestão escolar. O calendário de 2026 foi elaborado sem a participação dos professores, ignorando completamente quem está na linha de frente da sala de aula. E não é só isso: um direito básico dentro da estrutura educacional também foi simplesmente deixado de lado.
A avaliação docente e do corpo administrativo, que deveria ocorrer anualmente conforme determina a Portaria nº 70/2018 da SEED, nunca foi realizada. Ou seja, além da falta de diálogo, há indícios claros de descumprimento de normas internas da própria Secretaria.
Mas o cenário piora.
Diferente do que inicialmente se pensava, a diretora adjunta não deixou o cargo por vontade consumada. Ela pediu para sair após sucessivos episódios de desgaste e pressão, mas teve o pedido negado pela SEED, que solicitou que aguardasse uma solução que, até agora, nunca veio. O resultado é um limbo administrativo: a servidora segue presa a uma função que já demonstrou não conseguir mais exercer em um ambiente considerado insustentável.
Nos bastidores, o clima é de revolta e impotência.
Professores relatam que já protocolaram propostas concretas para melhorar o funcionamento da escola e a qualidade do ensino — todas ignoradas. Um dos exemplos mais simbólicos é o sábado letivo, que hoje se arrasta com salas praticamente vazias, registrando presença de apenas 3 a 5 alunos por turma.
Diante disso, docentes elaboraram um projeto de “sábado lúdico”, dentro das exigências legais e alinhado às diretrizes da própria SEED, com o objetivo de tornar as atividades mais atrativas e eficazes. A resposta? Desconsideração total por parte da coordenação pedagógica.
E é justamente aí que, segundo os relatos, está o foco do problema.
A coordenadora pedagógica do turno da tarde, Halana Matos apontada como liderança das coordenações dos três turnos — surge como figura central na condução das decisões que têm gerado desgaste interno. Professores afirmam que a falta de diálogo, a rejeição de propostas e a condução das atividades passam diretamente por essa liderança, criando um efeito dominó de desorganização em toda a escola.
Enquanto isso, a SEED segue no modo silêncio.
Sem intervenção efetiva, sem resposta às denúncias e sem qualquer sinal de correção de rumo, o que se vê é o agravamento de uma crise que já ultrapassou o campo administrativo e passou a impactar diretamente o ensino e a saúde emocional dos profissionais.
O retrato atual é claro: professores desmotivados, propostas ignoradas, gestão contestada e alunos prejudicados.
A pergunta continua no ar e cada vez mais alta:
até quando a Secretaria vai assistir de braços cruzados enquanto a educação desanda dentro da própria rede?
