Nos bastidores da política amapaense, o clima já não é de disputa é de sobrevivência.
A chamada “canetada” do ministro Flávio Dino, que afastou o prefeito Dr. Furlan da Prefeitura de Macapá, começou a produzir efeitos colaterais que vão muito além do jurídico e atingem diretamente o senador Randolfe Rodrigues.
O movimento, que colocou no centro do poder municipal a esposa de Randolfe ligada politicamente ao próprio Dino caiu como uma bomba na percepção popular. Nos bastidores, a leitura é direta: o que era para ser uma jogada de força virou desgaste político.
E os números começam a refletir isso.
A mais recente pesquisa mostra Randolfe atrás de novos protagonistas do cenário local, enquanto cresce a sensação de que o senador perdeu conexão com o eleitorado. O discurso de bastidor já é outro: de favorito ao Senado, Randolfe agora corre o risco de ter que recalcular a rota e mirar uma candidatura a deputado federal para não ficar fora do jogo.
Enquanto isso, o tabuleiro político se reorganiza sem pedir licença.
O ministro Waldez Góes, hoje em posição estratégica no governo federal, já é apontado por aliados como peça-chave de uma possível reconfiguração política no Amapá. A movimentação mais comentada nos corredores de Brasília e Macapá é uma aproximação com o grupo do senador Davi Alcolumbre, fortalecendo uma aliança com o União Brasil.
Se esse cenário se confirmar, Randolfe pode ficar isolado dentro do próprio partido, o PT sem base local forte e sem o mesmo protagonismo de antes.
E onde entra o governador Clécio Luís nessa história?
Até agora, silêncio.
Mas a pergunta que começa a ecoar nos bastidores é inevitável: Clécio vai manter a parceria com Randolfe ou vai seguir o fluxo político e embarcar em uma nova composição de forças?
Na política, lealdade costuma durar até a próxima eleição ou até a próxima pesquisa.
E no Amapá de hoje, os números já estão falando mais alto que os discursos.
