O Instituto de Pesquisas Veritas registrou no TSE uma pesquisa para Senado e Governo do Amapá. Os dados serão divulgados no dia 22/03, próximo domingo. O levantamento foi encomendado pela Associação dos Municípios do estado do Amapá
Uma pesquisa eleitoral registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o número AP-00837/2026, voltada à disputa pelo Governo do Amapá e pelo Senado Federal, passou a ser alvo de questionamentos nos bastidores políticos do estado antes mesmo de sua divulgação oficial.
O levantamento foi contratado junto à empresa Veritas Planejamento e Assessoria Ltda, ao custo de R$ 30 mil, por entidade presidida por Carlos Sampaio, atual dirigente da Associação dos Municípios do Estado do Amapá (AMEAP).
Embora o procedimento esteja formalmente dentro das exigências legais, a origem da contratação tem levantado dúvidas sobre a neutralidade do estudo.
Carlos Sampaio não é um agente político alheio ao cenário em análise. Vinculado ao União Brasil no Amapá, ele mantém interlocução direta com lideranças que integram o atual eixo de poder no estado, incluindo o governador Clécio Luís, o senador Randolfe Rodrigues e o senador Davi Alcolumbre.
Diante desse contexto, cresce a percepção de que a pesquisa pode não ser apenas um instrumento técnico de aferição da opinião pública, mas também parte de uma estratégia política mais ampla.
Especialistas e observadores destacam que, quando levantamentos são encomendados por atores inseridos no próprio campo político avaliado, abre-se margem para questionamentos sobre possíveis vieses metodológicos. Entre os pontos sensíveis estão a definição da amostra, a formulação dos questionários e a forma de apresentação dos resultados.
Ainda que não haja, até o momento, qualquer comprovação de irregularidade, o cenário reforça a necessidade de cautela na interpretação dos dados, especialmente em um ambiente político marcado por forte disputa narrativa.
A utilização de pesquisas como ferramenta de influência política não é novidade no país, mas, em contextos locais, pode ter impacto ainda mais direto na formação da opinião pública.
Diante disso, o episódio acende um alerta: mais do que observar os números divulgados, é fundamental compreender quem está por trás da pesquisa, quais interesses estão envolvidos e de que forma esses fatores podem influenciar o resultado final.
Em um momento pré-eleitoral, em que cada movimento estratégico pode alterar o rumo da disputa, a transparência e a credibilidade dos levantamentos se tornam elementos centrais para garantir que o eleitor tenha acesso a informações confiáveis e não a cenários previamente construídos.
