Lar Amapá Mangueira recebe milhões, Aturiá recebe ordem de despejo

Mangueira recebe milhões, Aturiá recebe ordem de despejo

Valor destinado à Mangueira seria mais de oito vezes o necessário para indenizar todas as 9 famílias afetadas no Aturiá.

por admin
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Governo investe milhões fora do estado enquanto indenizações no Aturiá geram impasse

Comparação entre repasse para escola de samba e valores de moradias levanta debate sobre prioridades no Amapá

A decisão judicial que determinou a desocupação de imóveis na área do Aturiá, em Macapá, voltou a levantar questionamentos sobre a condução das indenizações pagas aos moradores e, principalmente, sobre as prioridades na aplicação de recursos públicos.

De acordo com o processo nº 6004505-31.2024.8.03.0001, ao menos nove imóveis estão diretamente envolvidos na ação, com casos de demolição autorizada, remoção forçada e discussões sobre valores indenizatórios.

Entre os dados confirmados nos autos, consta que uma das moradoras, Maria Elza Nonato dos Santos, teve indenização fixada em R$ 142 mil. Outros moradores também pleiteiam levantamento de valores, pagamento de rendimentos e atualização das avaliações dos imóveis.

Considerando esse parâmetro, uma estimativa simples indica que, mesmo que todas as nove residências recebessem valores semelhantes, o custo total das indenizações ficaria em torno de R$ 1,2 milhão.

A comparação ganha relevância diante da informação de que o Governo do Estado destinou cerca de R$ 10 milhões à escola de samba Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro.

Nesse cenário, o montante repassado para a agremiação cultural seria suficiente para cobrir, com ampla margem, as indenizações das famílias envolvidas no processo do Aturiá ultrapassando em mais de oito vezes o valor estimado necessário para compensar todos os imóveis citados na ação judicial.

Enquanto isso, no caso do Aturiá, a Justiça autorizou medidas como demolição de imóveis já indenizados e remoção forçada de moradores que, segundo os autos, têm ciência da decisão. O cumprimento da ordem pode ocorreu, inclusive, com apoio de força policial.

A decisão também estabeleceu que eventuais discussões sobre atualização de valores ou pagamento de rendimentos não impedem a desocupação dos imóveis, reforçando o caráter imediato da medida.

A situação evidencia um contraste entre investimentos realizados fora do estado e a realidade enfrentada por moradores locais que ainda discutem valores considerados essenciais para sua realocação.

 

O caso segue em tramitação, com novas manifestações previstas do Estado e do Ministério Público sobre pedidos de revisão das avaliações e pagamentos complementares.

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