Lar Amapá O Protagonista Ajudado pelos Vilões: O Elenco que Levou Clécio ao Poder

O Protagonista Ajudado pelos Vilões: O Elenco que Levou Clécio ao Poder

Clécio surfou na rejeição maior de Gilvan em 2016 e na polarização com Jaime, mas agora governa sob a sombra de Waldez, o desgaste de Davi e Randolfe e da esmagadora aprovação popular de Furlan

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A reeleição de Clécio Luís à Prefeitura de Macapá em 2016, hoje Governador do Amapá, foi menos uma conquista e mais uma concessão do eleitorado, segundo análise do cenário político da época. O então prefeito buscava um segundo mandato carregando uma pesada rejeição de aproximadamente 60%. Seu caminho para a vitória não foi pavimentado por uma recuperação espetacular de popularidade, mas pela presença de um adversário no segundo turno, Gilvan Borges, que conseguiu mobilizar uma antipatia ainda maior junto aos eleitores. Naquele pleito, Clécio venceu não por ser amplamente amado, mas por ser menos rejeitado.

Os anos seguintes foram marcados por movimentos estratégicos de aliança. Em 2018, Clécio, ao lado de Randolfe Rodrigues e Davi Alcolumbre, uniram forças para apoiar a reeleição do governador Waldez Góes no segundo turno. Dois anos depois, em 2020, a política estadual preparava o terreno para a ascensão de Josiel Alcolumbre, irmão do então influente senador Davi Alcolumbre, à prefeitura da capital. No entanto, um extenso apagão que atingiu o estado na véspera da eleição virou o jogo, sendo apontado por analistas como o catalisador que “iluminou a cabeça da população” para eleger Antonio Furlan, em uma surpreendente virada.

O cenário parecia realinhado para Clécio em 2022, na corrida pelo governo do estado. A polarização centralizou-se entre ele e o empresário Jaime Nunes. Este, no entanto, demonstrou dificuldades em navegar as complexidades do processo eleitoral, tornando-se alvo preferencial nos debates de Gilvan Borges – candidato que setores do eleitorado e da oposição apelidaram de “laranja”, acusando-o de não apresentar propostas, mas focar seus ataques em Nunes para beneficiar Clécio. Naquele momento, a estratégia pareceu funcionar.

Contudo, a vitória trouxe consigo uma herança onerosa. O atual governador Clécio herdou, junto com o cargo, a rejeição acumulada pelos 16 anos da gestão Waldez Góes e o desgaste político do então poderoso presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que passou a enfrentar atritos não só com a população, mas também com os Poderes Executivo e Judiciário. Este último fator, em particular, mostrou-se uma variável totalmente fora do controle do palácio do governo.

Para completar o cenário desafiador, surgiu um novo e inesperado parâmetro de comparação para a população: a gestão do prefeito de Macapá, Dr. Antonio Furlan. Com uma administração avaliada como eficiente na entrega de obras e serviços, e uma comunicação direta com a sociedade, Furlan “colocou o sarrafo lá em cima”. Sua popularidade fez com que o eleitor amapaense, especialmente o macapaense, passasse a manter o prefeito não apenas em mente, mas também como referência e ponto de comparação para a atuação de todos os outros políticos, incluindo o governador.

A trajetória de Clécio, portanto, desenha-se em um tabuleiro onde a rejeição de seus oponentes, alianças de momento e fatores externos incontroláveis tiveram peso decisivo. Agora, no comando do estado, ele enfrenta o duplo desafio de administrar heranças políticas tóxicas e superar o novo padrão de excelência estabelecido na capital, um legado inesperado que ilumina e pressiona seu governo.

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