Lar Amapá FORA DE EDITAL: UEAP executa mais de R$ 3 milhões em projetos e distribuição de bolsas sem licitação pública

FORA DE EDITAL: UEAP executa mais de R$ 3 milhões em projetos e distribuição de bolsas sem licitação pública

Chamado internamente de "Farra das Bolsas", caso foi reconhecido pela reitora, que admitiu em reunião o descumprimento de resolução que rege as regras de financiamento. Conselho Superior deve apurar a fundo as irregularidades.

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por Jean Bambam

Um caso que envolve a execução de mais de três milhões de reais em Projetos de Desenvolvimento Institucional (PDIs) da Universidade do Estado do Amapá (UEAP) está sob forte escrutínio de conselheiros e professores. A suspeita, que já é chamada internamente de “Farra das Bolsas”, é de que os recursos tenham sido destinados e as bolsas distribuídas, desde 2023, sem a realização de editais públicos, ferindo gravemente os princípios da administração pública.

A denúncia ganhou contornos oficiais após a própria reitora da UEAP, em reunião do dia 21 de outubro, ter reconhecido a irregularidade. Diante de questionamentos, ela admitiu que a distribuição de bolsas descumpriu a Resolução nº 749/2022, norma interna da universidade que estabelece os procedimentos obrigatórios para a execução desses projetos.

Para deixar o reconhecimento formalmente registrado, um dos professores presentes encaminhou, após a reunião, um e-mail à reitoria detalhando o ponto de descumprimento da norma citado por ela própria. O documento serve como um registro oficial da admissão da falha e deve integrar o processo de apuração.

Falta de transparência e legalidade

O cerne da irregularidade está na ausência de concorrência pública. A lei determina que a distribuição de recursos e bolsas em instituições públicas deve ser feita por meio de editais, garantindo igualdade de condições a todos os interessados e assegurando os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e transparência. A suposta distribuição direta, sem abertura de processo seletivo, coloca em xeque a lisura do procedimento.

Diante da gravidade, o caso chegou ao Conselho Superior Universitário (CONSU), órgão máximo de deliberação da UEAP. A situação foi classificada como “delicada e séria” por conselheiros, que agora pressionam por uma investigação completa. A Auditoria Interna e a Procuradoria Jurídica da instituição devem ser acionadas para analisar a legalidade dos atos e apontar possíveis responsabilidades.

Medida Cautelar Defendida

Enquanto a apuração não é concluída, há um movimento entre membros do conselho pela suspensão imediata de todos os projetos envolvidos na controvérsia. A medida cautelar visa evitar que novos recursos sejam aplicados de forma irregular até que se tenha um parecer definitivo dos órgãos de controle.

A comunidade acadêmica acompanha o desenrolar dos fatos com apreensão. O caso ressalta a necessidade urgente de fortalecer os mecanismos de governança, integridade e o compromisso com a coisa pública dentro da UEAP, assegurando que todos os atos administrativos sejam pautados pela total transparência. A expectativa é que o CONSU tome as providências necessárias para esclarecer todos os fatos e restaurar a confiança na instituição.

A reitoria foi contactada para se manifestar sobre as investigações e as medidas que pretende adotar, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.

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