A Nova Cara da Velha Política: Clécio e os Laços com as Famílias que Mandam no Amapá
Mesmo com discurso de renovação, governador segue amarrado ao sistema que domina o estado há décadas — um ciclo de poder onde políticos viram empresários e empresários se tornam donos do Amapá.
Prometeu mudar, mas acabou sendo mais do mesmo. O governador Clécio Luís, eleito com discurso de independência e renovação política, está hoje profundamente enraizado no mesmo sistema que jurava combater. De mãos dadas com os Favachos, Pontes, Góes, JK e outras famílias que governam o Amapá há mais de 30 anos, Clécio parece ter se tornado apenas mais uma peça do velho tabuleiro.
Esses grupos familiares transformaram a política amapaense em negócio. Usaram o poder público para enriquecer, criaram empresas, assumiram contratos milionários com o estado e, de tanto mandar, passaram a ser donos de tudo: das licitações, das obras, das decisões políticas e dos bastidores do poder.
Hoje, os mesmos sobrenomes continuam dando as cartas. Estão presentes nas grandes construtoras, nos consórcios de obras públicas, nas empreiteiras que vencem licitações suspeitas e nas campanhas eleitorais milionárias. São eles que bancam e depois cobram.
Clécio, antes visto como um outsider, um gestor técnico e livre dessas amarras, agora caminha lado a lado com os caciques do passado e do presente. O resultado? Um governo paralisado por compromissos políticos, refém de conchavos, incapaz de fazer reformas profundas ou romper com os esquemas que sugam os cofres públicos.
Enquanto isso, o povo continua nas filas dos hospitais, nos bairros sem asfalto, nas escolas abandonadas. O Amapá segue girando em círculos, comandado por um pequeno grupo de famílias que transformaram o estado em um negócio de família.
O governador ainda tem tempo de romper com esse ciclo mas, ao que tudo indica, o sistema já o engoliu.
