Mais uma tentativa de calar a internet… e mais um freio da Justiça.
O senador Randolfe Rodrigues tentou derrubar uma publicação nas redes sociais e ainda buscou indenização por danos morais. Mas o tiro saiu pela culatra e o Judiciário deixou claro: crítica política não é crime.
A ação, que corre no 7º Juizado Especial Cível de Macapá, mirava uma postagem que associava o nome do senador a informações envolvendo sua esposa. Segundo Randolfe, o conteúdo teria sido “descontextualizado” e teria gerado ataques à sua honra e à sua família.
Mas o juiz foi direto: não viu ilegalidade suficiente nem para retirar o conteúdo, muito menos para conceder tutela de urgência. Resultado? Pedido negado.
A decisão escancara um ponto que muita gente insiste em ignorar: figura pública está sujeita ao debate inclusive ao debate duro, incômodo e até desconfortável. E mais: o próprio magistrado reforçou que a liberdade de expressão é pilar do Estado Democrático e só pode ser limitada quando há abuso comprovado.
E não parou por aí.
A Justiça também deixou claro que comentários feitos por terceiros nas redes sociais não podem ser automaticamente jogados nas costas de quem fez a postagem original. Ou seja: não dá pra terceirizar responsabilidade só porque a repercussão foi negativa.
Outro ponto que pesou: até o momento, não ficou comprovado que a informação divulgada seja falsa. E isso muda tudo.
Sem prova de mentira, sem prova de abuso, sem censura.
No fim das contas, a decisão é um recado direto ao mundo político: rede social não é gabinete fechado — e opinião pública não se controla no grito ou na caneta.
Enquanto isso, o processo segue. Mas a tentativa de silenciar já levou um “não” logo de cara.
