Lar Amapá Efeito da lua : Quase mil assessores? Polícia Civil investiga possível farra de nomeações na Câmara de Macapá

Efeito da lua : Quase mil assessores? Polícia Civil investiga possível farra de nomeações na Câmara de Macapá

994 assessores nomeações poderiam estar ligadas a interesses políticos e econômicos, inclusive com possível relação com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amapá (SETAP).

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Por Jean Bambam

Uma investigação da Divisão Especial de Repressão à Corrupção da Polícia Civil do Amapá pode revelar um dos episódios mais polêmicos da política recente em Macapá. Um inquérito policial foi instaurado no dia 2 de março de 2026, a pedido do Ministério Público do Estado do Amapá, para apurar suspeitas de irregularidades na Câmara Municipal de Macapá. Número do processo  6016238-23.2026.8.03.0001

A investigação nasceu a partir de denúncia anônima encaminhada à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público (PRODEMAP) e levanta suspeitas de um possível esquema de nomeações em massa que pode ter transformado cargos públicos em moeda política dentro do Legislativo municipal.

A matemática que não fecha

O ponto central da investigação é um número que chamou a atenção das autoridades: aproximadamente 994 assessores nomeados.

O problema é que a estrutura da Câmara Municipal de Macapá possui:

  • 23 gabinetes de vereadores

  • 23 salas administrativas

Ou seja, segundo a denúncia, o número de assessores seria totalmente desproporcional à estrutura física e funcional do órgão, levantando a suspeita de que parte dessas nomeações poderia existir apenas no papel — enquanto o dinheiro sairia do cofre público.

Nos bastidores, investigadores buscam descobrir quem realmente trabalha e quem apenas aparece na folha de pagamento.

Possível ligação com interesses políticos

Outro ponto que entrou no radar da investigação é a suspeita de que algumas dessas nomeações poderiam estar ligadas a interesses políticos e econômicos, inclusive com possível relação com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amapá (SETAP).

Se confirmado, o caso pode revelar uma engrenagem política onde cargos públicos seriam usados como moeda de troca para sustentar alianças e interesses privados.

Quem está sendo investigado

O inquérito cita como investigados:

  • Francisca Nogueira Melo

  • Dennis Policarpo de Melo Junior

  • Felipe Edson Pinto

  • Pedro dos Santos Martins

  • Décio Santos de Melo

Todos são investigados por possíveis irregularidades relacionadas à gestão administrativa e financeira da Câmara.

Crimes que podem aparecer no caminho

Dependendo do que for comprovado durante a investigação, os fatos podem configurar crimes graves contra a administração pública, entre eles:

  • Peculato — desvio de dinheiro público;

  • Associação criminosa — quando duas ou mais pessoas se organizam para cometer crimes;

  • Falsidade ideológica — inclusão de informações falsas em documentos oficiais;

  • Lavagem de dinheiro — tentativa de esconder a origem de recursos desviados.

Investigação já está nas mãos da Justiça

O caso já está sob acompanhamento da Central de Garantias do Tribunal de Justiça do Amapá, que poderá autorizar diligências mais profundas, incluindo:

  • quebras de sigilo bancário

  • análise de movimentações financeiras

  • levantamento completo da folha de pagamento da Câmara.

Por enquanto, o caso ainda está em fase de investigação e não há denúncia formal apresentada pelo Ministério Público.

Mas uma pergunta já ecoa nos corredores da política amapaense:

Macapá realmente precisava de quase mil assessores… ou alguém estava usando a máquina pública como balcão de empregos políticos?

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