Denúncia Aponta Suposto Esquema de Nomeação Ilegal no Amapá com Ligação em Assessora de Randolfe Rodrigues
OIAPOQUE, AP – Uma denúncia detalhando um suposto esquema de corrupção no Amapá foi encaminhada pelo Ministério Público Federal (MPF) ao Ministério Público do Estado (MP-AP). A investigação apura a venda de cargos públicos através da PEC da Transposição e a prática de “rachadinha” na prefeitura de Oiapoque. A principal articuladora do esquema seria Valdirene do Carmo Picanço, ex-assessora parlamentar e ex-candidata a deputada estadual.
O Esquema: Venda de Cargos e “Rachadinha”
De acordo com os documentos registrados originalmente na Polícia Federal, a rede criminosa facilitaria a entrada de pessoas no serviço público sem a realização de concurso. O grupo utilizaria brechas na Emenda Constitucional 98/2017, conhecida como PEC da Transposição, que regula a migração de servidores dos antigos territórios para os quadros da União.
Os relatos indicam que o esquema operava em órgãos estratégicos, como o Superfácil e a Polícia Técnico-Científica. Para garantir a nomeação ilegal, os interessados pagariam valores entre 4 mil e 5 mil diretamente a Valdirene Picanço.
Conexões e Declínio de Competência
O caso chegou ao conhecimento das autoridades via denúncia anônima em dezembro de 2023. Recentemente, o Procurador da República Marcelo Jose Ferreira formalizou o declínio de competência, enviando os autos ao MP-AP por envolver servidores e verbas de esfera estadual e municipal.
A investigação também aponta o envolvimento de Hannah Navegante Picanço como intermediária nas negociações. Além da venda de cargos, novos relatos surgidos em 2024 mencionam a prática de “rachadinha” — a apropriação de parte do salário de servidores na Prefeitura de Oiapoque.
Relação com Randolfe Rodrigues
Valdirene Picanço possui um histórico de proximidade política com o senador Randolfe Rodrigues. Além de ter sido sua assessora, ela disputou as eleições de 2022 pela Rede Sustentabilidade, então legenda do parlamentar. Em vídeos que circulam nas redes sociais, Valdirene afirmou ter se afastado do grupo político para evitar que as denúncias prejudicassem o senador.
Até o momento, o MP-AP analisa os documentos para decidir sobre a abertura de um procedimento investigatório formal. Se comprovadas, as condutas podem configurar crimes de corrupção passiva, tráfico de influência e organização criminosa.
Nota da Redação: O espaço segue aberto para a defesa de Valdirene do Carmo Picanço e demais citados para eventuais esclarecimentos.
