Filiação ao União Brasil escancara abandono de princípios, consolida guinada ideológica e transforma o governador em símbolo de oportunismo político no Amapá
Não há mais espaço para ilusões. A filiação do governador Clécio Luís ao União Brasil, oficializada em janeiro de 2026 com a bênção do senador Davi Alcolumbre, não é um simples movimento partidário. É um ato político carregado de significado: Clécio rompe, de forma definitiva, com a esquerda amapaense e enterra qualquer discurso de compromisso ideológico que um dia tentou sustentar.
Os chamados “esquerdosos clecistas de carteirinha” agora correm para justificar o injustificável. Tentam vender a narrativa de “aliança estratégica”, “necessidade eleitoral” ou “movimento tático”. Mas não se trata de composição, tampouco de diálogo entre campos distintos. Trata-se de desbunde ideológico-político. Uma rendição completa.
Clécio construiu sua imagem pública transitando por partidos historicamente ligados à esquerda, como PT, PSOL ,Rede e Solidariedade. Alimentou, durante anos, um discurso de defesa de pautas progressistas, justiça social e oposição às velhas estruturas de poder. Hoje, se abriga justamente em um partido símbolo do centrão, aliado histórico de interesses conservadores, fisiológicos e do grande capital.
A mensagem é clara: princípios ficaram pelo caminho.
A entrada no União Brasil não apenas consolida a guinada à direita, como escancara a disposição do governador em submeter seu projeto político aos interesses de Davi Alcolumbre, figura central da velha política nacional. A aliança tem um objetivo evidente: garantir musculatura eleitoral para 2026, custe o que custar.
E o custo é alto.
Clécio passa a ser visto, por amplos setores da sociedade, como um político inconfiável, capaz de abandonar bandeiras, discursos e aliados conforme a conveniência do momento. Hoje ele está no União Brasil. Amanhã, se for útil, estará em outro. Não há linha ideológica, não há coerência, não há fidelidade programática.
A manobra também cria um problema sério para aliados que ainda se apresentam como representantes da esquerda no Amapá, como o senador Randolfe Rodrigues. Como sustentar um discurso progressista enquanto o principal aliado estadual se abraça com a direita tradicional? O constrangimento é inevitável.
Nos bastidores, a filiação provocou incômodo até entre grupos que orbitam o próprio governo. Setores locais, demonstram desconforto com a nova configuração, evidenciando que a adesão ao União Brasil não foi um movimento natural, mas uma imposição de cima para baixo, baseada em cálculo eleitoral.
Em síntese, Clécio fez sua escolha.
Escolheu abandonar a esquerda.
Escolheu se alinhar à direita.
Escolheu trocar identidade política por conveniência.
Ao povo do Amapá, resta compreender a gravidade desse gesto. Não se trata apenas de troca de legenda. Trata-se da revelação definitiva de quem é Clécio Luís no jogo do poder: um político sem raízes ideológicas, disposto a tudo para se manter no cargo.
A esquerda amapaense foi traída.
E quem trai uma vez, trai sempre.