Lar Amapá O Governador que “Descobriu” o Domingo

O Governador que “Descobriu” o Domingo

Enquanto o "Prefeitão" construiu uma marca de proximidade aos domingos, o governador tenta uma cópia desesperada em ano de eleição.

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Após quase três anos de gestão discreta, governador reaparece em ato oficial no domingo, dia que se tornou símbolo de uma gestão municipal presente e popular. A coincidência com o ano eleitoral levanta suspeitas de encenação política.

Por Jean Bambam :

Depois de quase três anos de uma gestão estadual marcada pela baixa exposição pública e por uma agenda distante do cidadão comum, o governador do Amapá, Clécio Luís, reapareceu curiosamente  em um domingo, justamente no início de um ano eleitoral. O convite para a cerimônia de assinatura do termo de doação de glebas realizada neste 04 de janeiro, soou menos como um gesto institucional de rotina e mais como uma jogada calculada de marketing político.

O evento, que tratou de um tema relevante como a regularização fundiária, foi amplamente divulgado e registrado. No entanto, o timing e o formato escolhidos pelo Palácio do Setentrião chamaram a atenção e geraram críticas.

A Ausência que Precede o Ato

Durante a maior parte do mandato, o chefe do Executivo estadual manteve uma postura discreta, sem grandes convites públicos para atos similares, sem presença constante em comunidades e, muito menos, com solenidades oficiais aos domingos. A agenda de Clécio Luís foi comumente associada a eventos formais durante a semana, dentro do gabinete ou em ambientes institucionais escondidos da população

Agora, de forma repentina, o domingo entrou na agenda oficial do Governo do Estado um dia que, nos últimos anos, ganhou outro significado na política local, mas não na esfera estadual.

O “Domingo” Como Símbolo de Outra Gestão

Em Macapá, a agenda de domingo deixou de ser apenas sinônimo de descanso para se tornar marca registrada de uma administração municipal. A agenda dominical virou símbolo de gestão presente, popular e operacional, com ações concretas em bairros, diálogo direto com a população e decisões tomadas “olho no olho”.

Essa prática foi consolidada na administração do prefeito Antônio Furlan (MDB), carinhosamente chamado de “prefeitão” por parte da população. Furlan transformou o final de semana, especialmente o domingo, em extensão natural do serviço público, realizando inaugurações, vistorias, ouvindo demandas e implementando programas sociais. O “Domingo com o Prefeitão” se tornou um evento político-administrativo recorrente e de forte apelo popular.

A Tentativa de “Colar” no Modelo e as Perguntas que Ficam

A súbita adoção do mesmo dia pela gestão estadual para um ato público de impacto levanta questionamentos inevitáveis sobre a motivação real por trás do evento:

  • Por que só agora? Após anos sem utilizar o domingo para atos oficiais de proximidade.

  • Por que nunca antes? A regularização fundiária é uma demanda histórica e urgente no estado.

  • Por que justamente em ano de eleição estadual? 2026 é ano de disputa para o governo do Amapá.

O convite, travestido de solenidade histórica e de “entrega à população”, carrega o peso da incoerência temporal. Políticas de habitação e regularização fundiária são, de fato, urgentes e necessárias  mas não podem ser usadas como mero cenário eleitoral nem como ensaio de proximidade de última hora.

A Percepção Popular

O senso comum político em Macapá já começa a ecoar um sentimento: o povo amapaense sabe diferenciar gestão contínua de encenação política. Domingo como instrumento de governo não se improvisa. Presença real não se copia em um único evento. E a verdadeira cidadania não se agenda apenas quando a urna começa a chamar.

A tentativa de emular, em um ato isolado, um símbolo construído ao longo de anos por outra gestão pode ter o efeito contrário ao desejado: em vez de demonstrar proximidade, evidencia o oportunismo e a distância que se pretende agora, tardiamente, corrigir. O palanque montado no domingo, portanto, pode revelar menos uma nova fase da gestão e mais as vulnerabilidades de quem busca, às vésperas da eleição, um atalho para a aprovação popular.

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