Senador Lucas Barreto critica aumento da energia; deputado R. Nelson aponta atas falsas, empréstimos questionáveis e endividamento do estado. Pesquisa nacional expõe insatisfação popular com serviços públicos e rumos da gestão.
Um levantamento nacional revelou que o governador do Amapá, Clécio Luís (Solidariedade), enfrenta um grave desgaste político, com índice de rejeição de 52% entre os amapaenses. O dado, que coloca o gestor entre os mais mal avaliados do país, reflete uma insatisfação generalizada com o custo de vida, a qualidade dos serviços públicos e a gestão fiscal do estado.
O cenário de crise ganhou novos contornos com denúncias recentes de representantes do Legislativo. O senador Lucas Barreto tem sido voz constante no alerta sobre os sucessivos aumentos na tarifa de energia elétrica no estado, um dos fatores que mais impactam o bolso da população. “O amapaense já sofre com a falta de infraestrutura e agora é asfixiado por contas de luz que não param de subir. É um descaso com a população mais vulnerável”, afirmou Barreto em discurso recente.
No âmbito estadual, as críticas ganham tons mais graves. O deputado estadual R. Nelson denunciou na Assembleia Legislativa a existência de supostas atas falsas em processos administrativos e a contratação de empréstimos absurdos, que estariam levando o estado a um endividamento sem precedentes. “Há indícios de irregularidades que precisam ser investigadas com urgência. Não podemos aceitar que o estado contraia dívidas questionáveis que hipotecarão o futuro do Amapá”, acusou o parlamentar, sem apresentar provas detalhadas publicamente, mas exigindo abertura de comissão de inquérito.
A pesquisa nacional confirma que o mal-estar vai além das discussões no plenário. O índice de rejeição de 52% indica que a maioria da população amapaense demonstra insatisfação com os rumos do governo estadual. Na prática, o dado reflete um alto grau de desgaste político, especialmente em áreas sensíveis como custo de vida, serviços públicos, energia elétrica, infraestrutura e políticas sociais — temas que têm gerado críticas constantes por parte da sociedade civil, entidades de classe e lideranças comunitárias.
Enquanto alguns governadores aparecem com índices elevados de aprovação e estabilidade política, Clécio Luís figura no polo oposto do ranking, ao lado de gestores que enfrentam forte resistência popular e dificuldades de governabilidade.
A conjunção das denúncias de irregularidades administrativas, a pressão pelo aumento das tarifas de energia e a percepção negativa consolidada nas pesquisas forma um dos momentos mais críticos do governo. A situação demanda respostas concretas da gestão estadual para tentar reverter a percepção de crise e recuperar a confiança da população amapaense.
Procurada, a assessoria do governador Clécio Luís informou que não comentaria as denúncias dos parlamentares, mas reafirmou o compromisso da gestão com a transparência e a regularidade dos atos administrativos. Sobre a pesquisa de rejeição, declarou que “o governo segue trabalhando para superar desafios históricos e melhorar a qualidade de vida no estado, mesmo em um contexto de restrições orçamentárias”.