“Estado rico, povo travado”: Reátegui aponta erros históricos e lidera debate por mudança no Amapá

Podcast “DireitaAmapá”

 

Durante participação no podcast DireitaAmapá, o delegado Reátegui apresentou uma análise histórica sobre a formação política e econômica do Amapá desde sua transformação em estado pela Constituição de 1988.

 

Segundo o delegado, desde então o poder político estadual permaneceu majoritariamente nas mãos de grupos vinculados a partidos como PSB, PDT, PSOL e Rede Sustentabilidade, correntes que, na análise apresentada, defendem forte intervenção do Estado na economia, expansão da máquina pública e agendas progressistas.

 

De acordo com o critério ideológico adotado por Reátegui, esses partidos compõem um mesmo campo político que conduziu o Estado por mais de três décadas.

 

Essa continuidade política, afirmou, consolidou um modelo baseado na centralização econômica no Estado, dependência estrutural de recursos federais e ausência de políticas voltadas à geração de riqueza local.

Nesse período, o Amapá estruturou uma economia fortemente dependente do setor público. Grande parte da renda circulante vem de salários do funcionalismo, transferências da União e programas governamentais, enquanto o setor produtivo permaneceu pouco diversificado e com baixa capacidade de geração de riqueza própria.

 

Para o delegado, essa estrutura decorre de escolhas políticas que priorizaram a ampliação da máquina estatal em vez da construção de uma economia baseada na produção — com indústria, agroindústria, transformação de recursos naturais e estímulo à iniciativa privada.

 

O resultado, segundo Reátegui, é a contradição atual do estado: um território rico em recursos naturais, mas com baixo nível de desenvolvimento econômico. Mesmo possuindo potencial energético, reservas minerais, biodiversidade relevante e posição estratégica na fronteira norte do país, o Amapá mantém baixa industrialização, pequena base produtiva e elevada dependência fiscal e o pior IDH do País.

 

Reátegui destacou que esse modelo econômico também se reflete na qualidade dos serviços públicos. Persistem dificuldades estruturais na saúde, desafios na segurança pública ligados à criminalidade e ao tráfico, e problemas na educação, relacionados à qualidade do ensino, infraestrutura e evasão escolar.

 

Segundo ele, sem uma economia produtiva e diversificada, o mercado de trabalho permanece restrito, as oportunidades são escassas e grande parte da população depende direta ou indiretamente do setor público.

 

Esse quadro gera um ciclo difícil de romper: economia frágil produz baixa arrecadação; a baixa arrecadação limita investimentos; os serviços públicos permanecem precários; o setor privado não se fortalece; e o Estado amplia programas assistenciais para mitigar os efeitos sociais desse modelo.

 

Para o delegado Reátegui, compreender essa trajetória é fundamental para discutir seriamente o futuro do Amapá. Segundo ele, somente uma revisão do modelo de desenvolvimento adotado nas últimas décadas poderá transformar o potencial natural do estado em crescimento econômico, geração de riqueza, ampliação das oportunidades de trabalho e valorização do povo amapaense.

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