Macapá e Santana: epicentro de “indústria da fraude” abastece esquema de contratos públicos no Amapá

Os municípios de Santana e Macapá voltam a aparecer no epicentro de suspeitas graves de irregularidades envolvendo o Governo do Amapá. O Ministério Público está apurando uma série de indícios que apontam para a existência de uma verdadeira indústria da fraude, com facilidades em contratos públicos, especialmente nas áreas de combustíveis e eventos culturais.

Entre os pontos sob investigação estão negócios relacionados à comercialização de combustíveis de origem russa no Amapá, que teriam recebido tratamento diferenciado dentro da máquina estatal. Paralelamente, o MP também apura o uso de atas falsas para firmar contratos milionários de eventos como Expofeiras, Réveillon e grandes festivais culturais, custeados com dinheiro público.

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As investigações alcançam empresas sediadas em Macapá com filial e Santana  , como o Instituto Inorte, Instituto Ascender e Status Produções, frequentemente contratadas para a montagem de estruturas de som, palco e tendas um setor altamente lucrativo e estratégico nos grandes eventos do estado.

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Esses eventos, segundo apuração do Portal Bambam News, costumam ser coordenados por Richard Madureira e Dejalma do Espírito Santo, secretários considerados de extrema confiança do governador Clécio Luís. Ambos ocupam posições chave na engrenagem administrativa que autoriza, organiza e executa contratos de alto valor.

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As Secretarias de Cultura (Secult) e Turismo (Setur), responsáveis diretas pela maioria desses eventos, também estão no centro das suspeitas. As pastas são comandadas por pessoas do núcleo duro do governo, incluindo Clicia Vieira, irmã do governador, o que levanta questionamentos sobre nepotismo, favorecimento e ausência de critérios técnicos nas contratações.

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O que chama atenção é que, por ‘coincidência’, as empresas mais beneficiadas pelos contratos de eventos são do município de Macapá, e duas com endereço no bairro Jardim Marco Zero e uma filial em Santana, assim como os principais operadores políticos do esquema, todos alinhados ao grupo político do governador Clécio Luís, aliado direto dos senadores Davi Alcolumbre, Randolfe Rodrigues e do ministro Waldez Góes.

Um dos casos que mais chamam atenção é o do empresário Ivanildo Oliveira, morador de Santana, que foi tesoureiro de campanha do União Brasil, partido comandado no estado por Davi Alcolumbre. A empresa I de Oliveira da Silva Ltda, de sua propriedade, possui contratos ativos com o Governo do Amapá na gestão Clécio Luís. Outro detalhe que não passa despercebido: o endereço da empresa também fica no Jardim Marco Zero, bairro que começa a despontar como verdadeiro hub de negócios públicos. Na mesma linha aparece Breno Barbosa Chaves Pinto, suplente do senador Davi Alcolumbre, empresário e sócio das empresas Construtora e Reflorestadora Rio Pedreira e LB Construções. Assim como Ivanildo, Breno também é de Santana, reforçando o protagonismo do município na engrenagem de contratos com o Estado.

Os grandes eventos culturais do Amapá exigem estruturas milionárias, e o controle desse mercado virou um negócio fechado, onde poucos ganham muito e o povo paga a conta. A forma como essas empresas são escolhidas desperta indignação até entre empresários tradicionais do setor há quem diga, nos bastidores, que nem Beto Louco imaginaria um sistema tão eficiente de concentração de contratos.

Diante dos fatos, cresce a pressão para que o Ministério Público avance nas investigações e que os órgãos de controle aprofundem a apuração sobre o papel dos municípios de Macapá e Santana na engrenagem de contratos suspeitos do Governo do Amapá.

O Portal Bambam News segue acompanhando, investigando e denunciando.
Porque onde há dinheiro público, tem que haver transparência e não esquemas.

 

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