Lar Amapá Teatro das Bacabeiras : A pergunta que não quer calar é: o que foi feito com o dinheiro que já estava disponível desde 2020?

Teatro das Bacabeiras : A pergunta que não quer calar é: o que foi feito com o dinheiro que já estava disponível desde 2020?

Ordem de serviço: O governador tenta, agora, colher os aplausos por uma iniciativa que foi arrancada a força, após muita pressão popular e manifestações.

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A cena parece ter sido ensaiada para enganar. De um lado, o prefeito de Macapá, Dr. Furlan (MDB), inaugura com pompa o Teatro Municipal Fernando Canto, demonstrando que é possível concluir obras e entregar equipamentos à população. Do outro, o Governo do Estado do Amapá, sob a batuta de Clécio Luís (Solidariedade), segue encenando um drama de negligência com o Teatro das Bacabeiras, palco de uma comédia de erros que já dura mais de cinco anos.

A ordem de serviço para a reforma do Bacabeiras, finalmente dada em outubro de 2025, não é um ato de gestão eficiente, mas sim a capitulação diante de uma plateiA pergunta que não quer calar é: o que foi feito com o dinheiro que já estava disponível desde 2020? a insatisfeita: a população e os artistas locais, que cansaram de esperar nos bastidores. O governador tenta, agora, colher os aplausos por uma iniciativa que foi arrancada a força, após “muita pressão popular e manifestações”. como disse o artista plástico que não quis se identificar

A trama dessa farsa começa em janeiro de 2020, em um ato solene com o então governador Waldez Góes (PDT) e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil). O roteiro era promissor: R$ 2,3 milhões em investimentos, com a maior parte do recurso (R$ 1,8 milhão) já garantida por emendas parlamentares. O palco estava armado, o dinheiro em conta, mas a vontade política entrou em cartaz? Não. Waldez deixou o governo em 2022 e o cenário permaneceu intacto, com o teatro fechado ao público.

A troca de elenco na governadoria, com a entrada de Clécio Luís, trouxe uma nova desculpa: a de que um “novo projeto” era necessário. Três anos se passaram, e o que se viu foi o mesmo silêncio de sempre. A gestão estadual, que já carrega a marca registrada da lentidão, parece ter adotado oficialmente a estratégia da “Tartaruga Cansada”, como ironizou o deputado R. Nelson Vieira (PL). É uma analogia perfeita para descrever a paralisia que atinge não só esta, mas diversas obras no estado.

A pergunta que não quer calar é: o que foi feito com o dinheiro que já estava disponível desde 2020? Por que um equipamento cultural de tamanha importância, um marco visual e emocional para a cultura amapaense, foi deixado ao abandono, mesmo com os recursos financeiros aparentemente garantidos? A falta de transparência e a morosidade beiram o insulto à inteligência dos contribuintes.

A inauguração do teatro municipal pela prefeitura serve como um espelho embaraçoso para o governo estadual. Ela prova que a vontade política é o combustível essencial para a realização. Enquanto uma administração entrega, a outra enrola. Enquanto uma investe na cultura, a outra a negligencia, só reagindo quando a cortina do palco é arrancada pela fúria popular.

A ordem de serviço dada em 2025 é um ato de resgate necessário, mas chega tarde demais. Ela não apaga cinco anos de abandono, nem a sensação de que o governo do estado precisa ser arrastado para cumprir suas obrigações mais básicas. O povo e os artistas do Amapá merecem mais do que promessas em cartaz há anos. Merecem ver o Teatro das Bacabeiras não apenas reformado, mas reaberto, vivo e pulsante, como um verdadeiro patrimônio que nunca deveria ter sido esquecido nos porões de uma gestão displicente. O espetáculo da incompetência já se estendeu por tempo demais.

 

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