Empresário investigado pela PF acumula R$ 1,7 bilhão em contratos públicos
Informações do site UOL relatam o uso de veículo da loja 2A para transportar dinheiro sacado do banco do Brasil em Santana
Macapá, 26 de julho de 2025 – Um empresário investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de fraude em licitações e desvios de recursos públicos no Amapá possui ao menos R$ 1,7 bilhão em contratos com entes públicos, segundo levantamento do UOL .
O alvo das investigações é Breno Barbosa Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União–AP) e herdeiro das empreiteiras LB Construções e Conrefloresta Rio Pedreira. As empresas são responsáveis por pavimentações rodoviárias no estado. Conforme análise:
Aproximadamente R$ 1 bilhão em contratos com o governo do Amapá;
Cerca de R$ 595 milhões com o governo federal;
Outros R$ 45 milhões contratados junto a outras esferas públicas
O maior desses contratos estaduais, no valor de R$ 934 milhões, é um acordo “guarda-chuva” iniciado em 2011, originalmente estimado em R$ 378 milhões. Foi aditivado 14 vezes e vem sendo alvo de investigação do Ministério Público do Amapá por atrasos e acidentes durante a execução
Operação Route 156
A Operação Route 156, deflagrada em 22 de julho de 2025, cumpriu 11 mandados de busca e apreensão, incluindo residências do empresário e da empresa, além do afastamento cautelar do superintendente regional do DNIT no Amapá, Marcello Vieira Linhares, por 10 dias. A PF apura suposto esquema de fraude em licitações ligados a contratos de manutenção da rodovia BR‑156
As investigações apontam que pelo menos quatro pregões eletrônicos foram manipulados, com propostas fictícias ou descontos nulos, simulando competição inexistente. Um dos grampos reveladores registrou uma dirigente da autarquia afirmando: “o Breno manda aqui no DNIT”, indicando influência direta nas indicações e liberação de recursos .
Além disso, há indícios de lavagem de dinheiro por meio de saques fracionados em espécie, com movimentações de mais de R$ 3 milhões das contas das empresas em datas próximas a pagamentos de contratos públicos
Contexto político e empresas envolvidas
Chaves Pinto possui influência política reconhecida: é ligado ao senador Alcolumbre, que, conforme as investigações, teria papel central na liberação de emendas parlamentares direcionadas às empresas investigadas. Em diálogos interceptados, há conversas sobre aumento de repasses, como o salto de R$ 30 milhões para R$ 58 milhões em recursos ao DNIT
O senador, no entanto, afirma que não tem vínculo com as empresas e que todas as partes devem responder aos acontecimentos dentro do devido processo legal
Paralelamente à LB Construções, investiga-se também a atuação da LCM Construções, empresa de Luiz Otávio Fontes Junqueira, que já acumulou contratos bilionários após o surgimento da Operação Lava Jato. Presumem-se práticas semelhantes nesse caso, com suspeitas de direcionamento de licitações e favorecimento
Reação e defesa dos investigados
Até o momento da publicação, nem Breno Chaves Pinto nem as empresas ligadas responderam aos pedidos de entrevista da reportagem. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações
O governo do Amapá e o DNIT informaram que colaboram com as investigações. O Dnit afirmou repudiar qualquer fraude e afirmou que aplica políticas internas antifraude e anticorrupção
