A conta não fecha — e revolta.
Enquanto professores e servidores da educação amargam perdas salariais acumuladas há anos, o próprio relatório de gestão fiscal do Governo do Estado do Amapá escancara uma realidade incômoda: havia dinheiro, e muito mais de R$ 1 bilhão só em 2025 que deixou de ser investido na valorização do funcionalismo.
Os números são claros. A despesa com pessoal ficou em 38,14% da Receita Corrente Líquida, bem abaixo do limite máximo de 49% permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Traduzindo: existia margem legal e financeira para conceder reajustes — e o governo simplesmente não utilizou.

Enquanto isso, os trabalhadores acumulam perdas pesadas. Segundo a categoria, a defasagem já chega a cerca de 75% na última década e ultrapassa 130% desde a criação do Piso Nacional do Magistério, em 2009.
E não foi por falta de proposta.
O sindicato protocolou duas vezes um pedido formal de reajuste de 17,87% para 2026, mas até agora o silêncio do Governo do Estado segue ensurdecedor.

Mais grave ainda: especialistas apontam que esse R$ 1 bilhão “sobrando” poderia bancar um reajuste próximo de 30% para todo o funcionalismo público. No caso da educação, a margem seria ainda maior, já que boa parte dos salários é financiada com recursos próprios do setor, via FUNDEB.
Ou seja, não foi limitação financeira — foi decisão política.
Diante desse cenário, a tensão cresce. O SINSEPEAP já convocou Assembleia Geral Extraordinária para o dia 30 de março, com indicativo de paralisação na pauta.

Nos bastidores, o recado é direto:
se tem dinheiro e não tem valorização, o problema não é caixa — é prioridade.
E agora, com os números na mesa, a pressão só aumenta.
