Gabinete da “crise” ou da farra? Dalua cria cargo turbinado e paga mais que chefe da Procuradoria
A narrativa de “caos financeiro” vendida pela gestão interina de Pedro DaLua começa a desmoronar diante dos próprios números oficiais. Enquanto o discurso é de crise, a prática revela outra prioridade: inflar cargos e turbinar salários dentro de um gabinete criado às pressas.
Documentos do Ministério Público escancaram o contraste: o chamado “gabinete de crise” nasceu com custo mensal de quase R$ 46 mil, incluindo um assessor jurídico especial com salário de R$ 21.280,00 valor superior ao da própria Procuradora-Geral do município, que recebia cerca de R$ 15.960,00 .
Ou seja: na “crise” de DaLua, quem mais ganha não é quem já ocupa o topo da carreira jurídica da prefeitura — é o nomeado político.
Crise seletiva: falta dinheiro para a cidade, sobra para cargos estratégicos
A justificativa oficial era enfrentar um suposto colapso administrativo. Mas o próprio Ministério Público aponta que a estrutura já existia e poderia ser utilizada, sem necessidade de criação de novos cargos comissionados .
Na prática, o que se vê é a montagem de uma estrutura paralela com salários elevados e duração curiosamente alinhada ao período da interinidade.
Coincidência?
Difícil sustentar essa tese quando o gabinete dura exatamente o tempo do mandato provisório.
Nomeação sob suspeita: política acima da técnica?
Nos bastidores, o cheiro é ainda mais forte. A nomeação de um assessor jurídico com salário acima da Procuradoria levanta questionamentos inevitáveis:
- Por que pagar mais a um cargo recém-criado do que à chefia jurídica do município?
- Qual critério técnico justifica essa diferença?
- Ou estamos diante de mais um caso de acomodação política com dinheiro público?
A pergunta que ecoa nos corredores é direta: o gabinete foi criado para resolver a crise… ou para atender aliados?
MP vê possível desvio de finalidade e pede freio imediato
A situação já ultrapassou o campo político e entrou no jurídico. O Ministério Público apontou possível desvio de finalidade, destacando que a criação dos cargos pode configurar uso da máquina pública para interesses particulares .
O pedido é claro: suspensão imediata da estrutura e das nomeações, antes que o prejuízo aos cofres públicos aumente.
Conclusão: crise para uns, oportunidade para outros
Enquanto a população escuta discurso de dificuldades financeiras, a realidade mostra outra prioridade: cargos novos, salários inflados e decisões que levantam mais dúvidas do que respostas.
No fim das contas, a pergunta que fica é simples e incômoda:
a crise é da prefeitura… ou só do contribuinte?
