CONSELHO FISCAL REPROVA CONTAS DO SINSEPEAP E EXPÕE CAOS NA GESTÃO DO SINDICATO

CONSELHO FISCAL REPROVA CONTAS DO SINSEPEAP E EXPÕE CAOS NA GESTÃO DO SINDICATO

Enquanto a presidente da Executiva Municipal de Macapá, Cleiziane Miranda da Silva, pede a cassação do prefeito e do vice em Macapá, documentos revelam que as contas do próprio sindicato foram reprovadas por falta de transparência e bloqueio de informações.

Uma situação no mínimo constrangedora veio à tona envolvendo o Sindicato dos Servidores Públicos em Educação no Amapá (SINSEPEAP). Documentos oficiais do próprio Conselho Fiscal da entidade apontam que a prestação de contas do exercício financeiro foi formalmente reprovada, após uma série de irregularidades e obstáculos impostos à fiscalização.

O parecer, assinado por membros do Conselho Fiscal, descreve um cenário preocupante dentro da estrutura administrativa do sindicato. Segundo o documento, os conselheiros não tiveram acesso completo aos documentos contábeis, enfrentaram restrição ao sistema financeiro NASAJON, receberam extratos bancários incompletos e tiveram solicitações formais ignoradas pela diretoria.

Em outras palavras: quem deveria fiscalizar as contas simplesmente não conseguiu acessar as informações necessárias para fazer o trabalho.

DOCUMENTOS ENTREGUES EM CIMA DA HORA E INFORMAÇÕES NEGADAS

De acordo com o relatório, grande parte da documentação contábil foi disponibilizada apenas às vésperas da assembleia, o que comprometeu completamente a análise técnica das contas.

Entre os principais problemas apontados pelo Conselho Fiscal estão:

  • restrição de acesso ao sistema contábil utilizado pelo sindicato;

  • ausência de contratos de prestadores de serviços para análise das despesas;

  • extratos bancários apresentados de forma parcial;

  • documentos contábeis incompletos;

  • falta de respostas a memorandos enviados à diretoria.

Diante desse cenário, o Conselho Fiscal concluiu que não existiam condições mínimas de transparência para aprovar a prestação de contas, recomendando inclusive a realização de auditoria contábil independente.

GASTOS COM FESTAS E EVENTOS PASSAM DE R$ 400 MIL

Mesmo com acesso limitado às informações, o conselho conseguiu identificar despesas relevantes no período analisado.

Somente em eventos esportivos, festas e distribuição de brindes, os gastos identificados ultrapassaram R$ 407 mil.

Entre eles:

  • R$ 197.947,40 em evento de corrida;

  • R$ 209.643,39 em festas e brindes.

Os próprios conselheiros ressaltam que esses valores podem ser apenas parte dos gastos reais, já que não tiveram acesso à documentação completa do exercício financeiro.

CONTRADIÇÃO POLÍTICA CHAMA ATENÇÃO

O episódio ganha ainda mais repercussão política porque ocorre justamente no momento em que a presidente da executiva  municipal de Macapá entrou com denúncia na Câmara pedindo a cassação do prefeito e do vice-prefeito da capital.

A iniciativa, apresentada como um ato de fiscalização e defesa da moralidade administrativa, agora passa a dividir espaço com questionamentos sobre a transparência dentro do próprio sindicato ligado à categoria, já que a Executiva de Macapá nunca apresentou ao Conselho Fiscal as notas dos gastos realizados com recursos provenientes das contribuições sindicais.

A situação expõe uma contradição que começa a repercutir nos bastidores da política local:
quem cobra rigor na gestão pública precisa primeiro garantir transparência dentro de casa.

AUDITORIA PODE INVESTIGAR CINCO ANOS DE CONTAS

Diante das falhas encontradas, o Conselho Fiscal recomendou que a assembleia do sindicato determine a realização de uma auditoria contábil independente, que poderá analisar os registros financeiros dos últimos anos.

Caso essa auditoria seja realizada, existe a possibilidade de que a movimentação financeira da entidade seja revisada em profundidade, o que pode trazer novos desdobramentos.

Por enquanto, o que já está oficialmente registrado é um fato grave:

as contas do SINSEPEAP foram reprovadas pelo próprio Conselho Fiscal da entidade.

E no mundo da política e da gestão pública, uma regra costuma ser implacável:

 

quem exige transparência precisa começar por ela.

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