Amapá volta a registrar alta de feminicídios e expõe falha nas políticas de proteção à mulher

Amapá vê feminicídios dispararem e escancara falência das políticas de proteção à mulher do governo Clécio Luís

Enquanto o discurso oficial fala em avanços na proteção às mulheres, os números mostram uma realidade muito mais dura no Amapá. Dados recentes da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp), do Ministério Público do Amapá (MP-AP) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam um salto preocupante nos casos de feminicídio no estado.

Em 2025, o Amapá registrou 9 feminicídios, número muito superior aos 2 casos confirmados em 2024, que havia sido considerado um ano de redução histórica. Na prática, o crescimento representa mais de quatro vezes o número de assassinatos de mulheres em apenas um ano.

O contraste entre discurso e realidade levanta questionamentos inevitáveis: onde estão as políticas públicas que deveriam proteger as mulheres amapaenses?

Historicamente, o estado já apresentou números preocupantes. Em 2022 foram registrados 6 feminicídios, e em 2023 o Amapá contabilizou 259 vítimas de crimes violentos letais no total, colocando o estado entre os que apresentam maiores taxas de violência do país.

Violência dentro de casa

Os dados do Ministério Público revelam um retrato ainda mais alarmante da violência de gênero no estado.

Segundo os levantamentos:

  • 86% dos casos de violência doméstica ocorrem dentro da própria casa da vítima

  • 73% das mulheres assassinadas já tinham histórico de violência anterior

  • 39% dos crimes estão ligados a ciúmes ou à não aceitação do fim do relacionamento

Ou seja, em grande parte das situações o crime poderia ter sido evitado se houvesse resposta mais rápida do Estado.

Outro dado que reforça a dimensão social do problema é o perfil das vítimas. Assim como no restante do país, a maioria das mulheres assassinadas no Amapá é composta por mulheres negras, evidenciando também um recorte de desigualdade social.

O estado mais violento do país

O cenário se agrava quando se observa o contexto geral da segurança pública. O Amapá chegou a ser apontado, em levantamentos recentes, como o estado mais violento do Brasil em taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI), atingindo 69,9 mortes por 100 mil habitantes.

Mesmo com anúncios de redução proporcional em alguns índices de criminalidade, o crescimento dos feminicídios em 2025 coloca em xeque a eficácia das políticas públicas voltadas à proteção da mulher.

Entre propaganda e realidade

O aumento dos assassinatos de mulheres escancara uma contradição incômoda: não basta inaugurar prédios, anunciar programas ou produzir propaganda institucional.

Quando nove mulheres são assassinadas em um único ano, o problema deixa de ser estatístico e passa a ser um retrato da falência de políticas públicas que deveriam salvar vidas.

No fim das contas, a pergunta que ecoa nas famílias das vítimas e na sociedade é simples:

se as políticas de proteção estão funcionando, por que cada vez mais mulheres continuam morrendo?

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