EDITORIAL | O GOVERNO CLÉCIO LUIS AFUNDOU O AMAPÁ NUM MAR DE ESCÂNDALOS E DESCONFIANÇA
O Amapá vive hoje um dos períodos mais sombrios de sua história administrativa. Em pouco mais de três anos, o governo de Clécio Luis (Solidariedade) conseguiu o feito de se tornar sinônimo de escândalo, suspeita e falta de transparência, empilhando denúncias, investigações e operações policiais que atingem diretamente o coração da máquina pública.
Nunca, em tão pouco tempo, tanto dinheiro público esteve sob suspeita. São mais de R$ 5 bilhões que passaram pelas contas do Estado sem que a população tenha recebido explicações claras, detalhadas e convincentes sobre onde foi parar esse volume absurdo de recursos. O que se vê, na prática, é um governo que foge do debate, se esconde atrás de notas frias e evita encarar a sociedade de frente.
As investigações não são boatos. São fatos: Polícia Federal, CGU e outros órgãos de controle atuando sobre contratos da merenda escolar, saúde, educação, SEED, SESA e Detran/AP. Áreas essenciais, que deveriam proteger crianças, doentes e trabalhadores, transformadas em campo minado de suspeitas.
Enquanto isso, o povo sofre. Falta energia no Bailique, falta remédio nos hospitais, falta estrutura nas escolas. Mas nunca falta dinheiro nos contratos suspeitos.
A atual gestão conseguiu algo que muitos julgavam impossível: superar, em volume de denúncias e desgaste político, governos que historicamente já haviam sido marcados por escândalos, como o do ex-governador Waldez Góes. Em tempo recorde, Clécio Luis entrou para a história não por obras, mas por crises sucessivas e uma gestão cercada por desconfiança.
O mais grave não é apenas o número de escândalos, mas a arrogância institucional com que o governo trata o cidadão. Não há transparência efetiva, não há prestação de contas clara, não há explicações públicas. Há apenas silêncio, empurra-empurra e a velha tentativa de minimizar o que salta aos olhos de qualquer amapaense atento.
O governo Clécio Luis se tornou refém das próprias contradições. Prometeu mudança, entregou opacidade. Prometeu responsabilidade, entregou suspeitas bilionárias. Prometeu cuidar das pessoas, mas deixou o Estado mergulhado em escândalos que envergonham o Amapá nacionalmente.
Faltando pouco mais de um ano para o fim do mandato, a pergunta não é mais política — é moral:
Quem se beneficia do dinheiro que sumiu?
Quem responde pelos contratos sob investigação?
Por que o governo não mostra, com documentos, para onde foi cada centavo?
Enquanto essas respostas não aparecem, cresce o sentimento popular de que o Amapá está sendo governado por uma gestão que perdeu completamente o controle, a credibilidade e o respeito da população.
O Amapá não aceita mais desculpas.
Não aceita mais silêncio.
E não aceita mais ser tratado como terra sem dono.