O deputado R. Nelson acusou a administração do governador Clécio de desprezar a capacidade técnica dos servidores estaduais.

Vice do próprio Palácio aponta esquema e desconfiança na equipe interna

Em uma denúncia atípica que escancara rachaduras no alto escalão do governo, o deputado R. Nelson acusou a administração do governador Clécio de desprezar a capacidade técnica dos servidores estaduais. O motivo é uma contratação direta, sem licitação, no valor de R$ 3.541.440,00 com a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) para serviços de consultoria.

Nelson classificou a prática como um “complexo de vira-latas” do governo, que estaria preferindo “importar soluções a preço de ouro” a valorizar o conhecimento dos especialistas e técnicos concursados do Estado.

Dispensa de licitação vira “regra conveniente”, diz vice

O contrato com a fundação paulista foi realizado por dispensa de licitação, instrumento legal que deveria ser usado apenas em casos excepcionais. Para o vice-governador, no entanto, a exceção tem se tornado uma “regra conveniente” na gestão Clécio, permitindo gastos vultosos sem concorrência pública, debate ou a devida transparência.

“Ao que tudo indica, o Governo considera insuficiente o seu próprio quadro técnico”, disparou Teles. “Prefere-se terceirizar responsabilidades estratégicas, ignorando a expertise interna que existe e foi formada com recursos públicos.”

O questionamento, segundo ele, não é sobre a qualidade da instituição contratada, mas sobre o método, o valor gasto e, principalmente, o “recado político” enviado: o de que o governo não confia em seus próprios profissionais.

Pressa e conveniência acima da economicidade

A denúncia joga luz sobre uma prática que, segundo analistas, tem se repetido: a justificativa de “pressa” e “conveniência” para contornar os princípios constitucionais da administração pública, como o planejamento, a economicidade e a eficiência.

Enquanto o governo ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações feitas pelo seu próprio vice, a oposição já cobra a abertura de uma investigação pelo Tribunal de Contas do Estado para apurar a legalidade do contrato e a possível existência de superfaturamento.

A população, por ora, fica com a imagem de um governo em crise interna, onde o vice vira crítico ferrenho de um esquema que, segundo ele, drena milhões dos cofres públicos sem dar chance aos próprios servidores.


FICHA TÉCNICA:
Valor do contrato: R$ 3.541.440,00
Instituição contratada: Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Modalidade: Dispensa de licitação
Quem denunciou: Vice-governador Teles Junior  (do próprio governo)
Alegação principal: “Complexo de vira-latas” e desprezo pelo quadro técnico estadual.

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